Danger zone

espectrografias sonoro-visuais em duas peças televisivas de Beckett

Autores

  • Diego dos Santos Reis Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v19i2p163-178

Palavras-chave:

Samuel Beckett, Dramaturgia, Encenação, Peças televisivas, Teatro contemporâneo

Resumo

Este ensaio busca pensar de que modo parte da dramaturgia beckettiana pode ser lida como uma espectropoética, isto é, concebida como modo de trabalhar o elemento espectral em suas composições via procedimentos sonoros e imagéticos específicos. Pautadas pela fragmentação sonora, pela polifonia, pela duplicação vocal e figural, as peças televisivas de Beckett teriam como traço comum a ênfase na dimensão auditiva e no universo acústico das operações características de meios sonoros, o que resultaria na criação de zonas de tensão entre temporalidade e espacialidade, matéria sonora das palavras e imagem. Essas espectropoéticas se configurariam então como exercícios de experimentação vocal e de escuta marcados por traço lacunar, por reduplicações, ressonâncias e espelhamentos que caracterizariam a indeterminação da ausência-presença como procedimento formal privilegiado dessa dramaturgia.

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Biografia do Autor

Diego dos Santos Reis, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutor em Filosofia pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com bolsa CNPq

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Publicado

2019-12-20

Como Citar

Reis, D. dos S. (2019). Danger zone: espectrografias sonoro-visuais em duas peças televisivas de Beckett. Sala Preta, 19(2), 163-178. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v19i2p163-178

Edição

Seção

SALA ABERTA