Cinema hipermaterialista: Bergson, Deleuze e a virtualização da matéria nos filmes de Louis Lumière

  • Marcelo Carvalho Doutor em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da UFRJ
Palavras-chave: Louis Lumière, Gilles Deleuze, Henri Bergson, Matéria, Imagem-Perceptual

Resumo

O objetivo deste artigo é promover uma leitura materialista de algumas das primeiras obras de Louis Lumière, considerando o caráter transicional destes filmes entre a matéria e o cinema. Recorreremos a dois autores que não costumam embasar estudos sobre os primeiros filmes do cinema: Henri Bergson, autor de Matéria e memória, cujo primeiro capítulo retomaremos explícita ou implicitamente durante todo o percurso, e Gilles Deleuze, do qual tomaremos alguns conceitos oriundos dos livros A imagem-movimento e A imagem-tempo. Acreditamos ter encontrado no estatuto de “imagem-perceptual” a inclinação materialista das imagens de Lumière, nas quais identificamos a extensão do universo material enquanto virtualização da matéria.

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Biografia do Autor

Marcelo Carvalho, Doutor em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da UFRJ
Doutor e mestre em Comunicação e Cultura pelo PPGCOM da Escola de Comunicação da UFRJ. Especialista em Arte e Filosofia pela PUC-Rio e em Comunicação para o Terceiro Setor pela Ucam-Rio. Graduado em Comunicação (Cinema e Jornalismo) pela UFF.

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Publicado
2016-08-22
Como Citar
Carvalho, M. (2016). Cinema hipermaterialista: Bergson, Deleuze e a virtualização da matéria nos filmes de Louis Lumière. Significação: Revista De Cultura Audiovisual, 43(45), 115-133. https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2016.111606