Um calafrio anda pelo meu corpo

Mário Peixoto na Inglaterra

  • Denilson Lopes Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Mário Peixoto, diário, foto, queer

Resumo

Antes da realizar Limite (1931), seu único filme, Mário Peixoto vai para a Inglaterra (192-/1927), onde escreve um diário até hoje inédito em formato de livro. Pretendi apresentar esse material pouco conhecido junto com fotos dessa viagem. O diário revela não só um artista em formação, mas ao escrever em inglês e longe de sua família, traduz uma sensibilidade marcada por uma constante encenação de si, por uma melancolia existencial e a sensação de não pertencimento. Uma questão que me chamou atenção é como a leitura desse diário pode ser repensada por uma experiência queer ainda muito silenciada no debate sobre o Modernismo no Brasil.

 

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Biografia do Autor

Denilson Lopes, Universidade Federal do Rio de Janeiro

É professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Autor de Afetos, Relações e Encontros com Filmes Brasileiros Contemporâneos (2016) e co-autor, com André Antonio Barbosa, Pedro Pinheiro Neves e Ricardo Duarte Filho, de Inúteis, Frívolos e Distantes: em busca dos dândis (a ser lançado). No momento, está desenvolvendo a pesquisa “Dândis, Decadentes e Modernos”, em que procura estudar uma genealogia que vai de Mário Peixoto Otávio de Faria e Lucio Cardoso até alguns filmes do Cinema Novo, em que procura estabelecer um “outro Modernismo” (Paulo Venâncio), diferente tanto da linhagem antropofágico-tropicalista quanto das versões regionalistas. Atualmente recebe bolsa de Professor Visitante no Exterior pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para desenvolver pesquisa junto à Columbia University.

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Publicado
2019-07-01
Como Citar
Lopes, D. (2019). Um calafrio anda pelo meu corpo. Significação: Revista De Cultura Audiovisual, 46(52). https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2019.152046