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Questões sobre gênero e tecnologia na construção da agroecologia

Márcia Maria Tait Lima, Vanessa Brito de Jesus

Resumo


O objetivo deste artigo é discutir o papel da mulher no desenvolvimento do pensamento agroecológico no Brasil, o qual se apresenta como uma proposta que alia ciência, tecnologia e movimento social, orientada por premissas éticas e epistemológicas, nas quais são centrais as características ambientais, a pluralidade cultural, o respeito aos diferentes povos, assim como a não exploração nas relações de trabalho e comercialização. Embora ele seja um pensamento progressista, ainda comporta reprodu- ção da desigualdade de gênero, o que tem aparecido em diversos debates dentro do próprio campesinato, nos ambientes de militância e acadêmicos brasileiros. A agroecologia e, de forma mais ampla, a agricultura familiar sempre tiveram a participação signifi cativa das mulheres. Porém, apenas há pouco mais de duas décadas o trabalho feminino na agricultura familiar e também na agroecologia tem sido desconsiderado proporcionalmente a sua real contribuição. Nesse sentido, discutiremos que não existe agroecologia sem feminismo, pois são mulheres que ocupam posições centrais e sustentam vários tipos de resistência ao modelo convencional de produção agrícola, com a organização de movimentos sociais agroecológicos e práticas associativas de produção. A relação aparentemente paradoxal entre as relevantes contribuições das mulheres e a negação das questões de gênero na agroecologia será discutida buscando estabelecer diálogos entre o pensamento agroecológico das mulheres e a perspectiva feminista

Palavras-chave


Tecnologia. Agroecologia. Gênero. Resistência

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/51678-31662017000100005

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