Tecendo conexões entre feminismo e alternativas sociotécnicas

  • Bruna Mendes de Vasconcellos Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Geociências
  • Rafael Brito Dias Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Aplicadas
  • Lais Silveira Fraga Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Aplicadas
Palavras-chave: Tecnologia social. Feminismo. Tecnologia apropriada. Gandhi. Cuidar

Resumo

Neste artigo fazemos uma releitura, com lentes feministas, de duas infl uências históricas do pensamento latino-americano sobre a tecnologia social. Em um primeiro momento, olhamos para o movimento independentista da Índia, na primeira metade do século xx, que incorpora à sua causa uma política de disseminação da charkha, uma espécie de roca de fi ar. Difundida no período em que Gandhi liderou o movimento, a fi ação passou a ser símbolo da luta nacionalista, e é tida como exemplo emblemático de alternativa sociotécnica. Em um segundo momento, analisamos o “movimento de tecnologia apropriada”, como um conjunto de refl exões e iniciativas que se popularizam nos anos 1970 para a disseminação de tecnologias supostamente adequadas à realidade das regiões empobrecidas do sul. Ocupando-nos de preencher as lacunas analíticas de gênero, destacamos as contribuições de autoras que desvelaram o caráter androcêntrico de tais políticas, explicando como se produzem tecnologias inadequadas a partir da oclusão do trabalho das mulheres e das demandas comunitárias de cuidados no meio rural africano e asiático. Por fi m, tecemos conexões entre o gênero e a construção de alternativas sociotécnicas e argumentamos que é na invisibilidade do caráter feminizado do cuidar e na incorporação acrítica da lógica produtivista que a tecnologia social encarna o androcentrismo
Publicado
2017-06-14
Como Citar
Vasconcellos, B., Dias, R., & Fraga, L. (2017). Tecendo conexões entre feminismo e alternativas sociotécnicas. Scientiae Studia, 15(1), 97-119. https://doi.org/10.11606/51678-31662017000100006
Seção
Artigos