Uma "força justa e não violenta"? Uma crítica do direito na sociedade global

Autores

  • Andreas Fischer-Lescano Universidade de Bremen

DOI:

https://doi.org/10.1590/0103-2070201525

Resumo

O artigo toma as críticas ao entrelaçamento entre direito e violência como um ponto de partida para explorar a possibilidade de um "tertiumdo direito". Desse modo, busca superar a suposição dicotômica básica que enxerga o direito sempre oscilando entre uma apologia à violência, de um lado, e uma utopia da razão, de outro. O texto analisa a possibilidade dessetertium, uma "força legal" além da violência legal e da razão legal, em quatro passos, recorrendo ao trabalho de Jacques Derrida e de autores da primeira geração da Escola de Frankfurt, em particular, de Theodor Adorno e Walter Benjamin. Argumenta que, em um primeiro passo, o direito precisa ser dissociado do Estado. A violência jurídica, entretanto, não se origina apenas do laço entre direito e poder de Estado. O direito é em si mesmo violento, mesmo quando não é direito de Estado. O segundo passo da crítica legal consiste, portanto, na recordação da violência do direito, seguido por um terceiro, que pede a transformação da violência em força. Essas três instâncias da crítica são as precondições para um passo último e essencial, de acordo com o qual a crítica do direito deve facilitar a transcendência da violência jurídica, tomando o direito e a sua promessa de justiça ao pé da letra com a finalidade de voltar essa promessa contra o próprio direito.

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Publicado

2015-12-01

Como Citar

Fischer-Lescano, A. (2015). Uma "força justa e não violenta"? Uma crítica do direito na sociedade global . Tempo Social, 27(2), 103-127. https://doi.org/10.1590/0103-2070201525

Edição

Seção

Dossiê - Teoria dos Sistemas e Crítica da Sociedade