O sentido do risco

  • Salvatore La Mendola Universidade de Pádua; Faculdade de Ciência Política
Palavras-chave: Modernidade, Sociologia da juventude, Risco, Reflexividade

Resumo

O risco é um tema central da cultura da modernidade. A cultura dominante na modernidade tem a pretensão de afirmar como universal a idéia de que o perigo deve ser enfrentado segundo os princípios do racionalismo individualista e utilitarista, que devem guiar o agente que assume a responsabilidade pelo risco. O risco adquire forma e relevância particulares para a fase juvenil na medida em que representa um processo de construção, experimentação e afirmação da própria identidade. Um processo cada vez mais fragmentado e ambíguo que, atualmente, realiza-se por meio de um alongamento da transição à vida adulta no âmbito de uma dinâmica geral de desinstitucionalização do curso da vida. Está em jogo aqui outro impulso típico da modernidade: o da reflexividade que, como sugere Giddens, é o desafio crucial da fase radical da modernidade. Podemos reconhecer nas ações dos jovens, em particular precisamente naquelas de tipo arriscado, a realização do imperativo de duvidar: por meio de seu agir, cancelam a suspensão da dúvida e realizam uma forma pragmática de reflexividade. A modernidade radical encontra-se diante de desafios. Tem, antes de tudo, a necessidade de identificar palcos para a construção e a experimentação pragmática de dinâmicas de confiança. Deve, além disso, mostrar-se capaz de consentir no aumento do poder decisório dos sujeitos, inscrevendo o emprego de tais poderes em vínculos sociais que, além de demonstrarem-se efetivamente eficazes e não ambivalentes, consigam, ao mesmo tempo, levar em conta tanto a dimensão emocional como as necessidades de confiabilidade relacional das pessoas envolvidas.

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Publicado
2005-11-01
Como Citar
La Mendola, S. (2005). O sentido do risco . Tempo Social, 17(2), 59-91. https://doi.org/10.1590/S0103-20702005000200004
Seção
Estudos