Cultura e política: a criação do Ministério da Cultura na redemocratização do Brasil

Palavras-chave: Cultura, Ministério da Cultura, Intelectuais, Artistas, Políticas culturais

Resumo

Este artigo analisa a criação do Ministério da Cultura, em 1985, por meio da identificação dos principais atores envolvidos, seus interesses e estratégias, bem como examina as posições dos partidos políticos que se pronunciaram a respeito da necessidade de uma pasta para a cultura separada da educação. Pela análise de fontes jornalísticas e entrevistas, relaciona aquele processo com as características particulares do contexto político da época e apresenta as discussões e debates que acompanharam o desenrolar do processo que definiu a criação de uma pasta autônoma para a cultura. Por fim, conclui que, embora o processo de montagem do Ministério da Cultura no governo Sarney tenha sido influenciado pelas vicissitudes políticas do momento e conduzido de modo pouco eficiente, ele foi expressão da remobilização da sociedade civil brasileira em torno de questões de política pública no processo de transição pós-autoritária na primeira metade dos anos de 1980.

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Biografia do Autor

Fabio Maleronka Ferron, Universidade de São Paulo

Doutorando em sociologia da cultura na Universidade de São Paulo.

Maria Arminda do Nascimento Arruda, Universidade de São Paulo

Professora titular de Sociologia da Universidade de São Paulo. Atualmente é Diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

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Publicado
2019-04-17
Como Citar
Ferron, F., & Arruda, M. (2019). Cultura e política: a criação do Ministério da Cultura na redemocratização do Brasil. Tempo Social, 31(1), 173-193. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2019.144335
Seção
Artigos