O fetichismo na ciência e a crise da razão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2018.145089

Palavras-chave:

Crítica da ciência, Fetichismo, Crítica do capitalismo

Resumo

A crítica ao caráter fetichista da ciência contemporânea foi um elemento central das contribuições do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt. Com base nas obras de Horkheimer e Adorno, pretendemos ressaltar aspectos frequentemente negligenciados pela recepção da “teoria crítica”, a saber: (a) a continuidade de fundo entre as reflexões feitas nos anos de 1930 e aquelas formuladas na Dialética do esclarecimento e em Eclipse da razão; (b) a importância, como elemento mediador entre esses dois períodos, das transformações pelas quais passava o capitalismo no entreguerras, tais como a integração do proletariado e a reconfiguração do uso da técnica; (c) o caráter histórico-materialista da interpretação feita pelos autores dos processos de subjetivação da razão e de inversão da ciência em magia.

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Biografia do Autor

Fábio de Maria, Universidade de São Paulo

Doutor em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

Carlos Henrique Pissardo, Universidade de São Paulo

Doutor em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

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Publicado

2018-12-13

Como Citar

de Maria, F., & Pissardo, C. H. (2018). O fetichismo na ciência e a crise da razão. Tempo Social, 30(3), 103-122. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2018.145089

Edição

Seção

Dossiê: Teoria crítica