Epistemologia da laje

Palavras-chave: Favela, Urbanismo, Projeto arquitetônico, Teoria decolonial, Paradigma das mobilidades

Resumo

Inspirado pelos efeitos reflexivos que o armário produz em Epistemology of the closet, de Eve Sedgwick, e pelas críticas feitas por Ananya Roy às teorizações que se voltam ao deciframento das chamadas megacidades do Sul Global, este ensaio propõe uma epistemologia da laje. Com base no referente “favela carioca”, a hipótese sugerida é de que a laje, empírica e conceitualmente, permite deslocamentos epistêmicos que desestabilizam dualismos seculares: favela versus cidade formal, espaço privado versus espaço público, legal versus ilegal, universal versus vernacular.

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Biografia do Autor

Bianca Freire-Medeiros, Universidade de São Paulo

Professora do Departamento e do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo, onde coordena o UrbanData-Brasil: Banco de dados sobre o Brasil urbano (LAPS/Centro de Estudos da Metrópole).

Leo Name, Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Professor do Centro Interdisciplinar de Território, Arquitetura e Design e do Programa de Pós-graduação em Literatura Comparada da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, onde é o Líder do ¡DALE! – Decolonizar a América Latina e seus Espaços, grupo de pesquisa cadastrado no CNPq.

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Publicado
2019-04-17
Como Citar
Freire-Medeiros, B., & Name, L. (2019). Epistemologia da laje. Tempo Social, 31(1), 153-172. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2019.151262
Seção
Dossiê: Pensar a cidade (no Brasil): Espaços e tempos