Estratégias comerciais e operacionais das grandes companhias de saneamento

A experiência do Estado de São Paulo

Palavras-chave: Saneamento básico, Gestão ambiental, Infraestrutura urbana, Participação cidadã, Serviços urbanos

Resumo

O final do século XX testemunhou a ascensão de modelos de política pública baseados em soluções de mercado, o que estimulou a privatização e o surgimento de parcerias público-privadas no setor de saneamento básico. O objetivo deste trabalho é avaliar as estratégias comerciais e operacionais adotadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), tendo em vista as transformações em curso no mercado internacional, a fim de juntar elementos que contribuam para o debate das políticas de saneamento no Brasil. A metodologia do trabalho buscou identificar convergências e divergências entre os interesses dos investidores e dos usuários, a partir da análise das informações econômicas e operacionais disponíveis nos relatórios dos acionistas, com destaque para os seguintes aspectos: recursos humanos, investimentos, tarifas, eficiência operacional e lucratividade. A investigação concluiu que a Sabesp vem seguindo estratégias semelhantes às observadas nas companhias que atuam no mercado internacional, embora tenha divergido em alguns aspectos, possivelmente em razão das características da infraestrutura
de saneamento presentes em São Paulo. Finalmente, em oposição à harmonia preconizada nos textos que defendem as soluções de mercado, esta pesquisa apontou nas estratégias da Sabesp os conflitos entre os interesses de investidores e usuários.

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Biografia do Autor

Alberto De Oliveira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Economista, doutor em planejamento urbano e regional e professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ (IPPUR/UFRJ). Foi pesquisador visitante no Institute of Urban and Regional Development (IURD) of University of California (Berkeley)

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Publicado
2020-08-05
Como Citar
De Oliveira, A. (2020). Estratégias comerciais e operacionais das grandes companhias de saneamento. Tempo Social, 32(2), 229-256. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2020.157857
Seção
Artigos