O alienista: loucura, poder e ciência

  • Roberto Gomes Universidade Federal do Paraná
Palavras-chave: Ciência, Loucura, Poder, O Alienista, Machado de Assis, Positivismo

Resumo

Este artigo analisa o conto de Machado de Assis, O Alienista. Ficção centrada nos delírios de Simão Bacamarte, médico-psiquiatra, nela estão referidas as pretensões e impasses das concepções científicas do século XIX, em particular do Positivismo, que tem vínculos profundos com o nascimento das Ciências Humanas. De um lado, a sede de explicação rigorosa do seu objeto, no caso, a Loucura e, de outro, o direito que se arroga de dizer a verdade a respeito da Loucura e do Louco e de agir sobre ele com plenos e legítimos direitos. A obra de Machado denuncia o vínculo entre ciência e poder bem como a ursurpação, pelo homem de ciência, do direito que cada um tem de dizer a sua própria verdade. O que conduz à ironia final: parece haver mais loucura na pretensão de estabelecer com nitidez a linha divisória entre Razão e Loucura do que em perder-se entre seus supostos limites.

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Biografia do Autor

Roberto Gomes, Universidade Federal do Paraná
Escritor e professor de Filosofia da Universidade Federal do Paraná
Como Citar
Gomes, R. (1). O alienista: loucura, poder e ciência. Tempo Social, 5(1/2), 145-160. https://doi.org/10.1590/ts.v5i1/2.84953
Seção
Artigos