Via Atlântica http://www.revistas.usp.br/viaatlantica <p class="western">A Revista&nbsp;<em><em><strong>Via Atlântica</strong>,</em></em>&nbsp;publicação semestral do <strong>Programa de Pós-Graduação de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa </strong>da<strong> Universidade de São Paulo</strong>, tem por objetivo levar aos estudiosos, do Brasil e do Exterior, resultados de investigações desenvolvidas por especialistas nas áreas de&nbsp;Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, Literatura Comparada, Literatura Infantil e Juvenil, Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa e de outras literaturas e culturas &nbsp;que se expressam em português.&nbsp;Faz parte ainda do escopo da&nbsp;<em>Via Atlântica</em>&nbsp;a publicação de artigos que tratem das relações interdisciplinares da Literatura com outras Linguagens e com outras Formas do Saber. A publicação abrange, além de um Dossiê temático, outros trabalhos inéditos sob a forma de Ensaios, Artigos, Entrevistas e Resenhas de livros de interesse para os Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa e áreas correlatas.&nbsp;A revista&nbsp;<em>Via Atlântica&nbsp;</em>está inserida na área temática de Outras Literaturas Vernáculas, conforme tabela de áreas do conhecimento do CNPq (8.02.07.00-6).</p> Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas pt-BR Via Atlântica 1516-5159 <p>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</p> <ol type="a"> <ul> <li>Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/" target="_new">Licença Creative Commons Attribution</a>&nbsp;que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.</li> </ul> </ol> <ol type="a"> <ul> <li>Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</li> </ul> </ol> <ol type="a"> <ul> <li>Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja&nbsp;<a href="http://opcit.eprints.org/oacitation-biblio.html" target="_new">O Efeito do Acesso Livre</a>).</li> </ul> </ol> EDITORIAL Nº 33 http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/146173 Mário César Lugarinho Alda Maria Lentina Fernando Curopos Paulo Pires Pepe ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 11 17 CELEBRAÇÃO QUEER NA FICÇÃO DE DULCE MARIA CARDOSO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/135336 <p class="Default">Na ficção de Dulce Maria Cardoso, deparamo-nos com uma poética da subversão aqui analisada à luz da teoria <em>queer</em>, evidenciando-se o modo como os protagonistas assumem posições que funcionam como actos de resistência à ordem opressora e limitadora das liberdades individuais. Se, por um lado, nos defrontamos com um discurso que evidencia claras dicotomias de género, assistimos, por outro, à emergência de figuras que participam na desconstrução dos binarismos veiculados pela ordem dominante. Ao recusarem modelos de comportamento socialmente instituídos, estas identidades abalam os fundamentos do patriarcado, contribuindo para a afirmação de te<em>ndências emancipatórias</em>&nbsp; num país em plena mutação.</p> Maria Araujo da Silva ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 21 35 IRENE LISBOA E AS FICÇÕES DE GÉNERO DO ESTADO NOVO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140230 <p>Vivendo na sociedade patriarcal, machista e misógina que é a portuguesa no período do Estado Novo (1933-1974), Irene Lisboa (1892-1958) ousa pôr em causa normas sociais e literárias. Em linha com a experimentação modernista, assina os seus livros de poemas com o pseudónimo “João Falco”, acto revelador da recusa de conformidades e imposições. A sua inteligente intuição parece já entrever as limitações de uma categorização em duas identidades fixas, cada uma com o seu conjunto de possibilidades e preconceitos. Partindo de alguns contributos dos estudos feministas, interroga-se a definição e a construção de uma identidade de género da “mulher” representada na poesia de Irene Lisboa.</p> Sara Marina Barbosa ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 37 60 DO BRASIL À SUÉCIA E DE VOLTA AO BRASIL: PROBLEMA DE GÊNERO EM FERNANDO GABEIRA http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/139920 <p>In light of Judith Butler’s insight, including her theories of gender trouble and performativity, this article investigates Brazilian journalist and activist Fernando Gabeira’s trajectory against machismo, homophobia, and gender presumptions. That trajectory spans his formative years (1940s and 1950s), armed resistance to the military dictatorship (1960s), activism during exile, mostly in Sweden (1970-1979), and another 35 years of sociopolitical engagement, after his return to Brazil. Key to this essay’s central inquiry are Gabeira’s thoughts and experiences in his autobiographical trilogy (1979-1981).</p> Dario Borim Jr ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 61 79 CONSTRUÇÃO E PROBLEMATIZAÇÃO DA IDENTIDADE LÉSBICA NA OBRA DE CASSANDRA RIOS http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/139764 <p>Grande parte da produção literária de Cassandra Rios, muito popular nos anos 1960 e 1970, é consagrada à descrição de relações homossexuais femininas em cenários urbanos. Em sua obra, a autora deu voz a personagens lésbicas, seus desejos e suas angústias. O sentimento de inadequação, bastante presente nesses romances está, muitas vezes, associado à busca por uma identidade ou mesmo por uma definição de lesbianidade. Este trabalho tem por objetivo mostrar de que maneira Cassandra Rios, através de suas personagens femininas, representa e dá visibilidade a um “estar/ser à margem”. Buscaremos mostrar também que, ao buscar construir uma “identidade” lésbica, a autora problematiza questões que se tornarão, nas décadas seguintes, centrais para a teoria <em>queer</em> como a diferença entre orientação sexual e identidade de gênero e a noção de performatividade.</p> Leonardo Alexander do Carmo Silva ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 81 94 “EACH MAN KILLS THE THING HE LOVES”: UMA LEITURA QUEER DE “O BERLOQUE VERMELHO” DE SILVA PINTO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/141134 <p>“O berloque vermelho”, de Silva Pinto, constitui, presumivelmente, a primeira expressão da relação erótica entre dois homens apresentada na primeira pessoa em literatura portuguesa. Uma leitura <em>queer</em> deste conto permite lançar luz sobre a masculinidade <em>gay</em>, na época em que a categoria de homossexualidade estava a ser forjada, mas ainda não assimilada pela <em>scientia sexualis</em>, a sociedade e a cultura lusas. Contemporâneo das primeiras representações literárias e mediáticas da homossexualidade, o conto antecede a primeira controvérsia nacional inerente ao processo da sua juridificação e psiquiatrização, em que participará o seu autor, com notável repercussão na futura perceção dos homossexuais.&nbsp;</p> António Fernando Cascais ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 95 112 PALAVRAS DE LUXÚRIA E DE DEBOCHE: HOMOEROTISMO NO ALMANAK CARALHAL http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/118841 <p>Este artigo propõe uma apresentação do <em>Almanak Caralhal</em>, um almanaque satírico português oitocentista. Tomando esse impresso como escrita de uma história cultural que possibilita recompor discursos sobre questões culturais e políticas que atravessavam aquele momento de produção, além de recuperar seu papel como agente que intervinha na sociedade e na cultura, destaca-se seu conteúdo homoerótico. Aponta-se sua relação com a literatura portuguesa e com a cultura homoerótica do período.</p> Eduardo da Cruz ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 113 133 CONTRA OS QUEERS, MARCHAR, MARCHAR! http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140051 <p>Nos finais do século XIX, os republicanos portugueses vão tentar abalar a monarquia praticando um verdadeiro gay bashing contra algumas figuras do governo. A homofobia torna-se um elemento de ataque político para demonstrar “a degenerescência” da monarquia. Embora a igreja também fosse um alvo, em Portugal, os ataques raramente foram <em>ad hominem</em>. No entanto, a publicação de <em>O Bispo de Beja</em> (Santos Vieira, 1910), vai alimentar tanto o anticlericalismo republicano quanto a homofobia, constituindo um texto eminentemente <em>queer</em> por dar visibilidade a uma sexualidade não normativa, já presente na literatura erótica e pornográfica publicada em Portugal ao longo do século XIX.</p> Fernando Curopos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 135 149 SUBJETIVIDADE GAY NA POESIA DE ANTÓNIO BOTTO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140073 <p>Buscando entender os motivos da sua ausência no cânone da lírica portuguesa do século XX, este ensaio pretende suscitar algumas reflexões acerca das qualidades estéticas da poesia de António Botto. Além deste objetivo, este trabalho pretende mostrar de que modo o esteticismo e o decadentismo se articulam, na poesia dramática de António Botto, promovendo uma tensão com o humanismo ou vitalismo, a fim de melhor expressar uma subjetividade gay e criar uma identidade <em>queer</em>.</p> Maria Lúcia Outeiro Fernandes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 151 169 LEITURA DE ARA À LUZ DA TEORIA QUEER http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140234 <p>No presente trabalho, faz-se uma leitura da obra <em>Ara,</em> de Ana Luísa Amaral à luz da teoria <em>queer, </em>que se aplica à questão das entidades de género que emergiu dos trabalhos desenvolvidos pelos estudos gay e lésbicos e que não pode ser dissociada da teoria feminista, uma vez que ambas surgiram a partir de reflexões sobre a dificuldade dos grupos minoritários terem voz e se representarem dentro de uma linguagem e de uma sociedade falogocêntrica.</p> Helena Ferreira Aline Ferreira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 171 183 UMA COMPARAÇÃO: ROMANCES TRADUZIDOS DE TEMÁTICA HOMOSSEXUAL NO ESTADO NOVO PORTUGUÊS E NO ESTADO SOCIALISTA HÚNGARO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/141273 <p>O presente artigo pretende contribuir para a história de homossexualidade mapeando as traduções literárias durante o Estado Novo em Portugal e o comunismo na Hungria. Tendo em vista as diferentes práticas legais e censórias nos dois países em relação à homossexualidade, literatura de expressão inglesa traduzida foi examinada a fim de detectar divergências ou convergências possíveis. Além disso, a análise baseia-se nos ficheiros de censura armazenados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, bem como nas novas descobertas do projeto húngaro English-Language Literature and Censorship, 1945—1989.</p> Zsofia Gombar ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 187 205 ‘VOCÊ QUASE GANHOU UM ORQUÍDEA VIVA!’: DISSIMULAÇÃO QUEER E DESEJO HOMOSSOCIAL EM OS CAFAJESTES DE RUY GUERRA http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140583 <p>Este artigo examinará temas <em>queer</em> em um dos primeiros exemplares do Cinema Novo, <em>Os cafajestes</em>, de Ruy Guerra. Por meio de uma análise do filme, este artigo defenderá a importância de uma leitura <em>queer</em> e observará a existência de temas <em>queer </em>tanto na trama como na mensagem política geral da obra. Dessa forma, este artigo explora como a teoria <em>queer </em>ocidental pode ser usada para se compreender o cinema político brasileiro da década de 1960. Ele conclui, em parte, que, por meio do complemento da perspectiva marxista com uma análise <em>queer</em>, pode-se demonstrar que <em>Os cafajestes</em> proporciona ao público um diagnóstico potente e multifacetado da opressão</p> <p align="center"><strong><em>&nbsp;</em></strong></p> James Neil Hodgson ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 207 224 ALGUMAS INTERSECIONALIDADES E UM TEXTO CUIR PRA CHAMAR DE “(M)EU”: RETRATOS DA PRODUÇÃO ESTÉTICA AFROLUSOBRASILEIRA http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/146353 <p>O presente artigo pretende fazer convergir a produção estética lusoafrobrasileira e o pensamento “cuir”, aqui adotado como uma estratégia discursiva e de análise, que pode favorecer à percepção das novas manifestações estéticas oriundas de sujeitos da diferença.</p> Emerson da Cruz Inácio ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 225 240 NOVAS CARTAS PORTUGUESAS: A VAGINA DENTADA DAS TRÊS MARIAS http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140254 <p>Quando, em 1972, as Três Marias publicam <em>Novas cartas portuguesas</em>, este acontecimento provoca uma verdadeira “onda de choque”, devido ao tema que as atravessa, ou seja, a “vida íntima (sexual) das mulheres” (Lamas, 1974). Assim, alguns anos mais tarde, M. L. Pintasilgo, afirma que existe “um excesso que não enquadra na normalidade [e que] reside no facto de que as fronteiras entre o erotismo e a pornografia são ultrapassadas”. Propomo-nos explorar a vertente transgressiva do texto, atentando para uma ruptura com as convenções de representação dominantes em matéria de erotismo/pornografia, isto é, a passagem do “ob/scene” ao “on/scene” da sexualidade feminina. A outra transgressão será a descrição da parte mais íntima da anatomia feminina: o seu sexo – um novo território a ser visto e explorado pela mulher.</p> Alda Maria Lentina ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 241 251 ORDEM, GÊNERO E TRANSGRESSÃO EM A SENHORA DE PANGIM, DE GUSTAVO BARROSO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/139982 <p>Em 2017, completaram-se os 85 anos da publicação do romance histórico <em>A Senhora de Pangim</em>, do brasileiro Gustavo Barroso (1932). Foi reeditada em Lisboa pela Agência Geral das Colônias, nas comemorações dos centenários portugueses (1940). No Brasil, ainda foi republicada na forma de quadrinhos "para adultos", em 1958. Após essa última edição, o romance caiu no esquecimento. A narrativa procura reconstruir, por questionáveis fontes documentais, a biografia de Dona Maria Úrsula de Abreu e Lencastre, filha de portugueses, nascida no Brasil, e que se engajou no exército d'El Rey, no alvorecer do século XVIII, como o soldado Baltazar do Couto Cardoso, tendo servido em Goa, pelo menos, até 1714. Facilmente inserida na série literária da "donzela guerreira", <em>A senhora de Pangim</em> impõe uma reflexão pertinente aos estudos queer.</p> Mário César Lugarinho ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 253 272 10.11606/va.v0i33.139982 UM HOMEM GASTO: NATURALISMO, HISTORIOGRAFIA LGBT E PRIMEIRA RECEPÇÃO CRÍTICA http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/145475 <p>Neste artigo, traço um paralelo entre a utopia higienista e o naturalismo literário através do livro <em>Um homem gasto: episodio da historia social do XIX seculo</em> (1885), do médico carioca Ferreira Leal, apostando em um <em>continum </em>entre essas textualidades. Aponto também para o lugar da obra no contexto de sua produção e na historiografia literária lgbt, assim como abordo a recepção do livro através das primeiras críticas dos jornais cariocas A Semana e Jornal do Commercio.</p> Helder Thiago Maia ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 273 283 REPRESENTAÇÃO DO FEMININO NO CONTO “SWEAT” DE ZORA NEALE HURSTON http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/134819 <p>O presente trabalho pretende problematizar a construção das personagens<br>femininas na obra “O pardal é um pássaro azul”, de Heloneida Studart, escrito e publicado<br>no período referente ao Regime Militar no Brasil, estabelecido em 1 de abril de 1964, cuja<br>vigência se deu até o ano de 1985. Para tanto, dialoga-se com a teoria feminista, uma vez<br>que juntamente ao protesto contra a ditadura, assume-se uma postura de contestação<br>à situação de opressão feminina e à desigualdade de gênero, explicitada especialmente<br>na construção das personagens e na manipulação do foco narrativo.</p> José Vilian Mangueira Francisco Edson Gonçalves Leite ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 285 299 MULHERES ENGAIOLADAS EM TEMPOS DE FARDAS: REPRESENTAÇÕES DA MULHER COMO SER À MARGEM EM “O PARDAL É UM PÁSSARO AZUL” DE HELONEIDA STUDART http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/139914 <p>O presente trabalho pretende problematizar a construção das personagens femininas na obra “O pardal é um pássaro azul”, de Heloneida Studart, escrito e publicado no período referente ao Regime Militar no Brasil, estabelecido em 1 de abril de 1964, cuja vigência se deu até o ano de 1985. Para tanto, dialoga-se com a teoria feminista, uma vez que juntamente ao protesto contra a ditadura, assume-se uma postura de contestação à situação de opressão feminina e à desigualdade de gênero, explicitada especialmente na construção das personagens e na manipulação do foco narrativo.</p> Evelyn Caroline de Mello ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 301 310 A QUEERIZAÇÃO NO TEATRO DE BERNARDO SANTARENO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140960 <p>Este artigo investiga as peças teatrais <em>A promessa</em> (1957) e <em>Os marginais e a revolução</em> (1979) de Bernardo Santareno, argumentando que a primeira peça prefigura uma preocupação com relações sexuais e de género e expressões de queerização, que só sai completamente "fora do armário", após o 25 de Abril de 1974. Considerando-se em particular as restrições religiosas e políticas, e usando as peças teatrais de Santareno como ponto de partida, explorarei as formas complexas em que o género e a sexualidade contribuem como aspetos significativos da identidade individual e das relações identitárias e como estas rompem com barreiras, revelando conceitualizações essencialistas de género e sexualidade.</p> Paulo Pires Pepe ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 311 323 IMPÉRIOS EM CRISE E “PAIS FALHANDOS”: PATRILINEARIDADE E MASCULINIDADE N’ OS LUSÍADAS http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140204 <p>O poema épico <em>Os Lusíadas </em>reflecte a masculinidade imperial em meados do século XVI através da narração gloriosa dos feitos do Vasco da Gama e dos seus sucessores. No entanto, Camões expressa simultaneamente a sua preocupação com uma perda da glória e do poder, e é possível fazer uma analogia entre a efeminação e a fraqueza do império. Concretamente, os cantos IX e X podem ser lidos como uma retórica de encorajamento a D. Sebastião para assumir o seu papel de ser o pai da nação. Este ensaio foca particularmente na construção patrilinear e demonstra como <em>kleos</em> (a glória heróica que é passada de pai para filho) se desfaz durante as conquistas imperiais, revelando um império em crise.</p> Denise Saive Castro ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 324 341 APONTAMENTOS PARA UMA POÉTICA QUEER: UMA LEITURA DA POESIA DE LUÍS MIGUEL NAVA http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/141259 <p>Neste artigo, objetivamos ler sete poemas de Luís Miguel Nava – “Ars poética”, “Ars erotica”, “Paixão”, “O último reduto” “O mar”, “Ao mínimo clarão” e “Através da nudez” –, contidos na reunião da obra poética naviana, publicada em 2002, pela editora Dom Quixote, com o título de <em>Poesia completa. </em>Em nossas leituras, empregaremos pressupostos da Teoria <em>Queer,</em> aliada aos Estudos Literários, a fim de mostrar como o corpo, não apenas o do poeta, mas também o corpo do poema, é plataforma de novas subjetividades, que convidam o leitor a experimentar uma trajetória sensorial que explora vias pouco usuais de prazer, para além do tato e da visão, desentranhando dos corpos em interação, o gozo da leitura.</p> Sinei Ferreira Sales ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 343 364 REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO NO UNIVERSO KITSCH DE AMOR, PLÁSTICO E BARULHO DE RENATA RIBEIRO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140255 <p>Quase sempre associado à cultura popular, o <em>kitsch</em> tem um lugar importante na sociedade brasileira. Se essa estética influencia a música e a televisão, os cineastas brasileiros procuraram no <em>kitsch</em> não apenas estratégias para atrair o público, mas também para repensar a política em alguns momentos importantes da história brasileira. Neste artigo, propomos uma análise do filme <em>Amor, plástico e barulho</em> (2013), de Renata Pinheiro, no qual a diretora nos leva ao universo das periferias de Recife através dos sonhos e das desilusões de Shelly e Jaqueline, duas dançarinas/cantoras do grupo Brega Show. Na sua <em>mise en scène</em>, Renata Pinheiro adota uma estética <em>kitsch</em>, aproximando-nos do universo dessas personagens e revelando todas as complexidades das relações sociais de classe e gênero na sociedade brasileira.</p> Alberto Inacio da Silva ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 365 378 DIVERGÊNCIAS E CONVERGÊNCIAS NO FILME A OUTRA MARGEM, DE LUÍS FILIPE ROCHA http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/140257 <p>Em <em>A outra margem</em>, Luís Filipe Rocha conta a aventura humana de seres que a sociedade remeteu para as margens, por os considerar como aberrações, deficientes ou em falta. Ricardo, travesti homossexual, Vasco, seu sobrinho que sofre de trissomia 21, Maria, mãe solteira, e o transsexual Luís/Carla representam um desvio em relação à norma (o modelo heteronormativo, a lógica produtivista, a moral tradicional). Se o rio, imagem central no filme, separa, é também à beira dele que ocorrem muitos reencontros. Os próprios “marginais” aprenderão a conhecer-se mutuamente e a aceitar a alteridade do outro. Uma das pontes que os aproximará é a arte, crucial na (re)construção das respetivas identidades.</p> Luís Alexandre Rodrigues Sobreira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 379 390 NA ROTA DO ESCÁRNIO E DO MALDIZER: A SÉRIE PORTUGUESA "BICHA DO DEMÓNIO" http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/141309 <p>Este ensaio tem como objetivo a leitura da série portuguesa <em>Bicha do Demónio</em>&nbsp; (2009-2010), produzida exclusivamente para divulgação na rede pelo site Youtube, tomando&nbsp; como ponto&nbsp; de&nbsp; partida&nbsp; a&nbsp; presença&nbsp; de&nbsp; uma&nbsp; veia&nbsp; satírica,&nbsp; observada&nbsp; sob&nbsp; dois&nbsp; aspectos:&nbsp; o&nbsp; primeiro, enquanto&nbsp; continuidade&nbsp; de&nbsp; uma&nbsp; tradição &nbsp;literária&nbsp; e&nbsp; cultural&nbsp; do&nbsp; escárnio&nbsp; e&nbsp; do&nbsp; maldizer;&nbsp; e&nbsp; o segundo, como exposição&nbsp; direta das subjetividades sexuais, bem como das multiplicidades do universo homossexual português.</p> Jorge Vicente Valentim ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 391 405 UMA INTERROGAÇÃO SOBRE O ENSINO DAS LITERATURAS EM PORTUGUÊS: ENTRE O "CÂNONE LUSÓFONO" E A “EMOÇÃO ESTÉTICO-PATRIÓTICA” http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/141289 <p>Para muitos “empresários da memória” dos países de língua portuguesa é politicamente correto declarar que a língua comum funciona no “nosso caso”, mais do que em outros casos em que a língua europeia é idioma oficial, como um elo sólido fundamentado numa “história original”. Os países de língua portuguesa, quando “chegaram” à arena internacional, encontraram blocos de solidariedade, com base nos mais diversos elementos, já constituídos num mundo globalizado e superdiverso em que, paradoxalmente, a reivindicação da diferença é uma das marcas mais impositivas. Levanta-se a seguinte questão: no estudo da literatura, como “resolver a questão” da nacionalidade dos escritores que escrevem em português? O que ensinar: literaturas em português ou “literatura nacional”, entendida como “emoción estético-patriótica” (José-Carlos Mainer)?</p> Inocência Mata ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 409 420 10.11606/va.v0i33.141289 CAMÕES, POETA DA EXPERIÊNCIA INTERIOR http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/131918 <p>Este ensaio tem como objetivo principal analisar a escrita camoniana enquanto palco de encenações de experiências interiores. Para levar a cabo esse propósito, baseei a minha leitura nas obras <em>A experiência interior</em>, <em>O erotismo</em> e <em>As lágrimas de Eros</em> do ensaísta Georges Bataille, a fim de destacar que a poesia camoniana se constitui também enquanto palco para as manifestações das experiências interiores, possibilitando que, a partir do individual, a palavra poética toque os universais da existência humana.</p> Rodrigo Corrêa Martins Machado ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 421 434 UMA MULHER, UMA CASA, UM PAÍS: A GORDA, DE ISABELA FIGUEIREDO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/131916 Bruno Mazolini de Barros ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 437 443 A MULHER DO FUZILEIRO E OUTRAS QUASE HISTÓRIAS, POR ÁLVARO MARINS http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/125384 Valdemar Valente Junior ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 445 449 100 ANOS DE JORGE AMADO: O ESCRITOR, PORTUGAL E O NEORREALISMO, POR VANIA PINHEIRO CHAVES E PATRÍCIA MONTEIRO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/116681 <p>&nbsp;&nbsp;</p> Patricia Trindade Nakagome ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 451 456 EL OCÉANO DE FRONTERAS INVISIBLES: RELECTURAS HISTÓRICAS SOBRE (¿EL FIN?DE) LA ESCLAVITUD EN LA NOVELA CONTEMPORÂNEA, DE DAIANE NASCIMENTO SANTOS http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/118057 Vanessa Riambau Pinheiro ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 457 462 FOLHAS POLÍTICAS, DE JOSÉ SARAMAGO http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/133372 Jean Pierre Chauvin ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2018-09-11 2018-09-11 33 463 468