Os quadrinhos silenciosos contra a memória de silenciamento dos queer: identidade e sexualidade em Quadrinhos Queer

Autores

  • Guilherme Sfredo Miorando Universidade do Vale do Rio dos Sinos

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2021.183861

Palavras-chave:

Histórias em quadrinhos, Memória, Queer, Silêncio, Silenciamento

Resumo

Este artigo propõe explorar a relação entre o silenciamento da população queer na vida pública e a expressão do silêncio nas narrativas gráficas. Para tanto procurou-se entender, a partir de Eni Puccinelli Orlandi, como o silêncio opera sobre as narrativas em quadrinhos a ponto de engendrar uma supressão nas palavras, mas falar tão detalhadamente através de imagens, como atesta Thierry Groensteen. Buscou-se entender que violências simbólicas passam a repercutir na memória das pessoas queer, para desenvolverem esse tipo de comunicação, pensando nas vidas precárias de Judith Butler. Também, em consonância com o pensamento de David Lapoujade, procurou-se entender quais os papéis da mídia, da arte e da memória na criação de narrativas em que os gestos e não as palavras são os fios condutores da experiência que se interpõe entre a obra e o artista.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Guilherme Sfredo Miorando, Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Doutorando em Ciências da Comunicação (Unisinos), mestre em Memória Social e Bens Culturais (Unilasalle). É membro da Associação de Pesquisadores em Artes Sequenciais (Aspas).

Referências

AHMED, M. CRUCIFIX, B. Comics memory: archives and styles. Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2018.

ASSMANN, A. Espaços de recordação: formas e transformações da memória social. Campinas: Editora Unicamp, 2011.

BORGES, G; IRINEU, E; SMEE, G. (org.) Quadrinhos queer. São José: Skript, 2021.

BUTLER, J. Excitable speech: a politics of the performative. Londres: Routledge, 1997.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 13. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.

BUTLER, J. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performática de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

BUTLER, J. Vida precária: os poderes do luto e da violência. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.

CANDAU, J. Memória e identidade. São Paulo: Contexto, 2001.

CVETKOVICH, A. Drawing the archive in Alison Bechdel’s “Fun home”. WSQ: Women's Studies Quarterly, Nova Iorque, v. 36, n. 1-2, p. 111-128, 2008.

GROENSTEEN, T. Comics and narration. Jackson: University Press of Mississippi, 2013.

GROENSTEEN, T. O sistema dos quadrinhos. Nova Iguaçu: Marsupial, 2015.

HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1990.

LAPOUJADE, D. As existências mínimas. São Paulo: N-1 Edições, 2017.

MARCONDES, C. I. Arzach e o despontar da narrativa gráfica silenciosa. Esferas, Brasília, DF, ano 5, n. 9, p. 153-168, 2016.

MIORANDO, G. S. Memória e quadrinhos: algumas aproximações. Memorare, Tubarão, v. 6, n. 2, p. 37-52, 2019.

MIORANDO, G. S. Os limites do ato performativo na representação queer nos quadrinhos. In: MIORANDO, G. S. Sexo e gênero nos quadrinhos. Leopoldina: ASPAS, 2020. p. 90-125.

ORLANDI, E. P. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. Campinas: Editora Unicamp, 2007.

POLLACK, M. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.

ROHY, V. In the queer archive: Fun home. GLQ: A Journal of Lesbian and Gay Studies, Durham, NC, v. 16, n. 3, p. 341-361, 2010.

VIANA, N. Análise pictórica, modos de ver e modos de retratar. In: REBLIN, I. A.; NOGUEIRA, N. A. S. Arte sequencial e suas sarjetas metodológicas. Leopoldina: ASPAS, 2018.

Downloads

Publicado

2021-08-02

Como Citar

MIORANDO, G. S. Os quadrinhos silenciosos contra a memória de silenciamento dos queer: identidade e sexualidade em Quadrinhos Queer. RuMoRes, [S. l.], v. 15, n. 29, p. 115-137, 2021. DOI: 10.11606/issn.1982-677X.rum.2021.183861. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/183861. Acesso em: 23 out. 2021.

Edição

Seção

Dossiê