Envelhecimento e dor crônica

um estudo sobre mulheres com fibromialgia

Autores

  • Maria Angelica Schlickmann Pereira Hayar Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • Arlete Camargo de Melo Salimene Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina
  • Ursula Margarida Karsch Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • Marta Imamura Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina https://orcid.org/0000-0003-0355-9697

DOI:

https://doi.org/10.5935/0104-7795.20140022

Palavras-chave:

Envelhecimento, Doença Crônica, Fibromialgia, Mulheres, Gênero e Saúde

Resumo

Objetivo: Desvendar o processo de envelhecimento de mulheres acometidas por fibromialgia e o impacto dessa patologia nos âmbitos físico, pessoal e social, agregado às alterações dele decorrentes. Método: O universo da pesquisa abrangeu 66 mulheres com diagnóstico clínico de fibromialgia, com idades entre 30 e 68 anos de idade, residentes em São Paulo/SP. Para a pesquisa qualitativa, foi selecionado, de forma aleatória, um grupo de quinze das 66 mulheres: cinco na faixa etária entre 30 e 49 anos, cinco entre 50 e 59 anos de idade e cinco de 60 anos e mais. Foram realizadas entrevistas individuais, gravadas e posteriormente transcritas na íntegra, com aplicação de instrumento semiestruturado elaborado pela autora. O instrumento buscou estimular os sujeitos a refletirem, a fim de possibilitar o acesso às representações sociais da dor, da doença o do envelhecimento com dor crônica. Como procedimento metodológico para tratamento dos dados da pesquisa qualitativa, foi utilizada a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Resultados: Os dados indicaram que há maior incidência da fibromialgia entre as mulheres idosas, mas o impacto na qualidade de vida medido pelo FIQ foi maior entre aquelas que estavam na meia idade (50 a 59 anos). Houve prevalência de mulheres com baixa escolaridade, mas constatou-se que o impacto da fibromialgia foi mais significativo em mulheres com escolaridade maior. A presença da religiosidade foi bem marcada neste grupo de sujeitos. Conclusão: O trabalho de atenção básica sob a Estratégia de Saúde da Família requer uma adequada abordagem da pessoa com uma doença crônica tão peculiar como a fibromialgia. Essa abordagem deve ser estendida aos idosos, respeitando o que preconiza a política de humanização do SUS numa perspectiva de promoção da saúde.

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Publicado

2014-09-09

Edição

Seção

Artigo Original
MÉTRICAS | METRICS