Análise do hábito alimentar e do estado nutricional de pacientes com lesão medular após intervenção nutricional

Autores

  • Elizabete Alexandre dos Santos Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina
  • Vera Lúcia Rodrigues Alves Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina
  • Silvia Ramos IMeN Educação
  • Vera Silvia Frangella Centro Universitário São Camilo

DOI:

https://doi.org/10.5935/0104-7795.20140025

Palavras-chave:

Traumatismos da Medula Espinhal, Estado Nutricional, Hábitos Alimentares, Educação Alimentar e Nutricional

Resumo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde a deficiência física é definida como restrições de estrutura ou funções corporais que não são compensadas por medidas sociais, sendo a lesão da medula espinhal (LME) um tipo comum de deficiência física. Diversos fatores podem influenciar o estado nutricional de indivíduos com LME e complicações metabólicas podem levar a uma série de alterações agudas e crônicas no organismo, que estão relacionadas com o surgimento de doenças crônicas e obesidade. A avaliação e o manejo nutricional adequado do paciente com LME podem auxiliar na adequação do estado nutricional, minimizar as complicações associadas com a lesão e favorecer a reabilitação em longo prazo. Objetivo: Avaliar o efeito das medidas de intervenção nutricional, utilizadas em um ambulatório de nutrição clínica, sobre o hábito alimentar e o estado nutricional de pacientes com lesão medular. Método: Trata-se de um estudo exploratório transversal e retrospectivo em que foi analisado o hábito alimentar de todos os pacientes com LME, atendidos em um ambulatório no período de abril de 2012 a outubro de 2013. Resultados: Foram avaliados 30 pacientes com média de idade igual a 46 ± 15,29 anos, sendo 70% do sexo masculino. Após a intervenção nutricional houve diminuição no consumo de gorduras saturadas, diminuição na ingestão de cereais refinados e aumento no consumo de hortaliças e frutas. Conclusão: Observou-se a importância da intervenção nutricional na adequação dos hábitos alimentares dos indivíduos, sendo que a educação nutricional deve ser precoce, para prevenir complicações secundárias à lesão.

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Publicado

2014-09-09

Edição

Seção

Artigo Original
MÉTRICAS | METRICS