Perfil da resiliência em indivíduos com amputação de membro inferior

  • Maressa Gonçalves da Paz Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Doutor Henrique Santillo https://orcid.org/0000-0002-4352-6091
  • Juliana Caldas de Souza Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Doutor Henrique Santillo
  • Fernanda Miranda de Oliveira Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Doutor Henrique Santillo
Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Reabilitação, Resiliência Psicológica

Resumo

Objetivo: Identificar o perfil sociodemográfico dos amputados de membro inferior bem como, os níveis e os fatores da resiliência. Método: Trata-se de um estudo descritivo, quantitativo e transversal. Os dados foram coletados através de um questionário semiestruturado após aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa. O período de coleta foi entre Setembro a Novembro de 2017 no ambulatório do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação de Goiânia – Goiás. Os dados foram apresentados em frequências, média e desvio padrão. Resultados: Verificou-se que os indivíduos resilientes tinham amputação acima do joelho (44%), de etiologia traumática (30,1%), não receberam orientação após a amputação (41,5%) e utilizam as muletas como principal dispositivo auxiliar na locomoção (49%). Houve uma predominância da resiliência moderada 33 (62,2%) e de respostas do tipo concordo para os fatores I e III da escala de resiliência. Para o fator II houve semelhança nas respostas do tipo nem concordo e nem discordo e do tipo concordo. Discussão: Amputação acima do nível do joelho, etiologia traumática e ausência de orientação quanto aos cuidados com o coto foram predominantes nos indivíduos resilientes tais características estão associadas a um maior grau de incapacidade, cuidados inadequados com o coto, stress e depressão. Acredita-se que condições adversas pode influenciar positivamente a resiliência graças a capacidade de ajustamento e adaptação do indivíduo. Conclusão: A resiliência moderada evidencia que os amputados possuem estratégias de enfretamento positivas, porém e necessário realizar programas de treinamento a fim de promover melhor independência e determinação.

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Publicado
2018-06-30
Seção
Artigo Original