Sistemas de saúde e percepção de barreiras para admissão e aderência em programas de reabilitação cardíaca

estudo comparativo

Autores

  • Tácito Zaildo de Morais Santos Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN https://orcid.org/0000-0002-9495-7078
  • Patrícia Angélica Miranda Silva Nogueira Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN https://orcid.org/0000-0002-3763-2410
  • Ivan Daniel Bezerra Nogueira Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
  • Gabriela Lima de Melo Ghisi University Health Network – UHN https://orcid.org/0000-0001-7946-3718
  • Karolinne Souza Monteiro Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
  • Thayla Amorim Santino Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
  • Gardênia Maria Holanda Ferreira Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN https://orcid.org/0000-0003-2631-5564

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2317-0190.v26i2a164725

Palavras-chave:

Reabilitação Cardíaca, Acesso aos Serviços de Saúde, Estudo Comparativo

Resumo

Além da elevada prevalência de doenças cardiovasculares (DCV), iniquidades regionais no acesso aos serviços de saúde e subutilização de programas de reabilitação cardíaca (PRC) ainda são marcantes no cenário brasileiro. Objetivo: Esse estudo visou descrever e comparar barreiras para uso de PRC em usuários de diferentes sistemas de saúde e níveis de atendimento em um estado brasileiro. Métodos: Participantes de PRC e pacientes elegíveis de enfermarias e ambulatórios foram pareados pelos sistemas de saúde que utilizavam e responderam a Escala de Barreiras para Reabilitação Cardíaca (EBRC). Os testes U de Mann-Withney e Kruskal Wallis foram usados para comparar barreiras entre os sistemas de saúde e entre níveis de atendimento, respectivamente. Resultados: Cento e quarenta (87%) pacientes participaram do estudo. A média total dos itens da escala foi 1,98±0,48 e diferiu apenas entre participantes de PRC e pacientes internados (p<0,05). Algumas barreiras de acesso, necessidades percebidas e comorbidades/estado funcional foram maiores no sistema público do que no privado (p<0,05). A falta de conhecimento sobre PRC (3.75±1.66) e a falta de referência médica (2.32±1.53) destacaram-se no domínio necessidades percebidas, que teve o maior escore médio da amostra (2.31±0.71). Conclusões: Barreiras de acesso e necessidades percebidas foram maiores para usuários de serviços públicos. Viagens e trabalho foram barreiras maiores para participantes de PRC, enquanto para pacientes internados e ambulatoriais as maiores barreiras foram necessidades percebidas. Logo, a disseminação de PRC e estratégias para referência de elegíveis devem ser estimuladas em ambos os sistemas de saúde e níveis de atendimento.

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Publicado

2019-06-30

Edição

Seção

Artigo Original

Dados de financiamento

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