A perspectiva dos pais sobre a reabilitação fisioterapêutica de crianças com deficiência múltipla

Palavras-chave: Crianças com Deficiência, Modalidades de Fisioterapia, Reabilitação, Pesquisa Qualitativa

Resumo

A deficiência múltipla (DM) é caracterizada pela presença de duas ou mais deficiências que são capazes de influenciar o desenvolvimento e a funcionalidade dos indivíduos que a possui. A reabilitação nestes casos passa invariavelmente pela atuação fisioterapêutica que pode proporcionar ganhos funcionais e sociais para a crianças que sofrem com a DM e para suas famílias. Objetivo: Analisar como a literatura científica aborda a percepção dos pais em relação ao tratamento fisioterapêutico de crianças com deficiência múltipla. Método: Foi realizada uma metassíntese qualitativa por meio de uma busca sistemática de estudos qualitativos publicados entre 2013 e 2018 nas bases de dados Scopus e PsycINFO. A análise dos dados consistiu em três etapas propostas: sistematização dos conceitos de primeira ordem, que envolvem a identificação dos conceitos encontrados nos artigos originais; a interpretação de segunda ordem, processo de comparação e interpretação de conceitos que se repetem e, por fim, a síntese interpretativa, que são uma reinterpretação dos conceitos de segunda ordem. Resultados: Foram incluídos oito estudos e deles emergiram cinco conceitos de segunda ordem que serviram de base para a elaboração de duas sínteses interpretativas: Participação dos pais no processo de reabilitação e Informação e comunicação entre pais e fisioterapeutas na percepção das melhoras físicas obtidas com o tratamento. Conclusão: Os estudos apontaram que os pais percebem a eficácia do tratamento fisioterapêutico, no entanto, foram identificadas algumas barreiras que dificultam a realização de uma intervenção adequada.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Oliveira KW, Cortez-Escalante J, Oliveira WT, Carmo GM, Henriques CM, Coelho GE, et al. Increase in reported prevalence of microcephaly in infants born to women living in areas with confirmed Zika virus transmission during the first trimester of pregnancy - Brazil, 2015. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2016;65(9):242-7. Doi: https://doi.org/10.15585/mmwr.mm6509e2

Reis RP. Microcephaly outbreak in Brazil. REME Rev Min Enferm. 2015;19(4):812-4. Doi: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20150061

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vírus Zika no Brasil: a resposta do SUS [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde; 2017 [Citado 2018 Set 11]. Disponivel em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/virus_zika_brasil_resposta_sus.pdf

Garcia LP. Epidemia do vírus Zika e microcefalia no Brasil: emergência, evolução e enfrentamento. Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA; 2018 [Citado 2018 Set 11]. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8282/1/td_2368.pdf

Pletsch MD. Deficiência múltipla: formação de professores e processos de ensino-aprendizagem. Cad Pesqui. 2015;45(155):12-29. Doi: https://doi.org/10.1590/198053142862

Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional. Parecer sobre estimulação precoce e microcefalia [Texto na Internet]. Rio de Janeiro: ABRAFIN; c2016 [Citado 2018 Ago 15]. Disponível em: http://abrafin.org.br/wp-content/uploads/2015/02/PARECER-MICROCEFALIA.pdf

Lopes GB, Kato LS, Corrêa PRC. Os pais das crianças com deficiência : reflexões acerca da orientação em reabilitação motora. Psicol Teor Prat. 2002;4(2):67-72.

Noblit GW, Hare RD. Meta-ethnography: synthesizing qualitative studies. Newbury Park: Sage; 1988.

Alencar ES, Almouloud SA. A metodologia de pesquisa: metassíntese qualitativa. Reflexão e Ação. 2017;25(3):204. Doi: http://dx.doi.org/10.17058/rea.v25i3.9731

Lopes AL, Fracolli LA. Revisão sistemática de literatura e metassíntese qualitativa: considerações sobre sua aplicação na pesquisa em enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2008;17(4): 771-8. Doi: https://doi.org/10.1590/S0104-07072008000400020

Neves RF, Nunes MO, Magalhães L. As interações entre os atores no retorno ao trabalho após afastamento por transtorno mental: uma metaetnografia. Cad Saude Publica. 2015;31(11):1-16. Doi: https://doi.org/10.1590/0102-311X00029215

Tong A, Sainsbury P, Craig J. Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ): a 32-item checklist for interviews and focus groups. Int J Qual Health Care. 2007;19(6):349-57. Doi: https://doi.org/10.1093/intqhc/mzm042

Evans-Rogers DL, Sweeney JK, Holden-Huchton P, Mullens PA. Short-term, intensive neurodevelopmental treatment program experiences of parents and their children with disabilities. Pediatr Phys Ther. 2015;27(1):61-71. Doi: https://doi.org/10.1097/PEP.0000000000000110

Stefánsdóttir S, Egilson ST. Diverging perspectives on children’s rehabilitation services : a mixed-methods study. Scand J Occup Ther. 2016;23(5):374-82. Doi: https://doi.org/10.3109/11038128.2015.1105292

Kruijsen-Terpstra AJ, Verschuren O, Ketelaar M, Riedijk L, Gorter JW, Jongmans MJ, et al. Parents’ experiences and needs regarding physical and occupational therapy for their young children with cerebral palsy. Res Dev Disabil. 2016;53-54:314-22. Doi: https://doi.org/10.1016/j.ridd.2016.02.012

Jindal P, MacDermid JC, Rosenbaum P, DiRezze B, Narayan A. Perspectives on rehabilitation of children with cerebral palsy: exploring a cross-cultural view of parents from India and Canada using the international classification of functioning, disability and health. Disabil Rehabil. 2018;40(23):2745-55. Doi: https://doi.org/10.1080/09638288.2017.1356383

Sukeri S, Bakar RS, Othman A, Ibrahim MI. Barriers to unmet needs among mothers of children with disabilities in Kelantan, Malaysia: A qualitative study. J Taibah Univ Med Sci. 2017;12(5):424-9. Doi: https://doi.org/10.1016/j.jtumed.2017.05.002

Lillo-Navarro C, Medina-Mirapeix F, Escolar-Reina P, Montilla-Herrador J, Gomez-Arnaldos F, Oliveira-Sousa SL. Parents of children with physical disabilities perceive that characteristics of home exercise programs and physiotherapists’ teaching styles influence adherence: A qualitative study. J Physiother. 2015;61(2):81-6. Doi: https://doi.org/10.1016/j.jphys.2015.02.014

Fitzgerald N, Ryan P, Fitzgerald A. Team-Based Approaches in Early Intervention Services for Children With Disabilities: Irish Parents’ Experiences. J Policy Pract Intellect Disabil. 2015;12(3):199-209. Doi: https://doi.org/10.1111/jppi.12126

Nakamanya S, Siu GE, Lassman R, Seeley J, Tann CJ. Maternal experiences of caring for an infant with neurological impairment after neonatal encephalopathy in Uganda: A qualitative study. Disabil Rehabil. 2015;37(16):1470-6. Doi: https://doi.org/10.3109/09638288.2014.972582

Sari FL, Marcon SS. Participação da família no trabalho fisioterapêutico em crianças com paralisia cerebral. Rev Bras Crescimento Desenvolvimento Hum. 2008;18(3):229-39.

Larsson I, Miller M, Liljedahl K, Gard G. Physiotherapists' experiences of physiotherapy interventions in scientific physiotherapy publications focusing on interventions for children with cerebral palsy: a qualitative phenomenographic approach. BMC Pediatr. 2012;12:90. Doi: https://doi.org/10.1186/1471-2431-12-90

Gannotti ME, Christy JB, Heathcock JC, Kolobe TH. A path model for evaluating dosing parameters for children with cerebral palsy. Phys Ther. 2014;94(3): 411-21. Doi: https://doi.org/10.2522/ptj.20130022

Willrich A, Azevedo CCF, Fernandes JO. Desenvolvimento motor na infância: influência dos fatores de risco e programas de intervenção. Rev Neurocienc. 2009;17(1):51-6.

Rinaldi LM. Famílias de crianças com paralisia cerebral: subsídios para a elaboração de uma proposta de intervenção fisioterapêutica centrada na família [Dissertação]. Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas; 2012.

Uchôa AC, Vieira RM, Rocha PM, Rocha NS, Maroto RM. Trabalho em equipe no contexto da reabilitação infantil. Physis. 2012;22(1):385-400. Doi: https://doi.org/10.1590/S0103-73312012000100021

Rotta NT. Paralisia cerebral, novas perspetivas terapêuticas. J Pediatr. 2002;78:S48-S54. Doi: https://doi.org/10.1590/S0021-75572002000700008

Izumi AY. A concepção da criança com deficiência neuromotora e seus pais sobre a fisioterapia: estudo qualitativo [Dissertação]. Londrina (PR): Universidade Norte do Paraná; 2012.

Bernardo AC. Qualidade de vida, necessidades terapêuticas e preocupações de pais de crianças com necessidades especiais – abordagem centrada na família [Dissertação]. Lisboa: Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa; 2012.

Mello R, Ichisato SM, Marcon SS. Percepção da família quanto à doença e ao cuidado fisioterapêutico de pessoas com paralisia cerebral. Rev Bras Enferm. 2012;65(1):104-9. Doi: https://doi.org/10.1590/S0034-71672012000100015

Lima RA. Envolvimento materno no tratamento fisioterapêutico de crianças portadoras de deficiência: compreendendo dificuldades e facilitadores [Dissertação]. Belo Horizonte (MG): Universidade Federal de Minas Gerais; 2006.

Barbosa AS, Santos LS, Santana AF, Monteiro LF. A participação da família no trabalho de reabilitação da criança com microcefalia. Cad Graduação. 2017;4(2):189-202.

Levandowski M, Carrilho L. Expectativa dos pais de crianças com patologias neurológicas em relação à fisioterapia. Rev Saúde Integrada. 2012;107-31.

Pedroso CN, Félix MA. Percepção dos pais diante do diagnóstico e da abordagem fisioterapêutica de crianças com paralisia cerebral. Ciência & Saúde. 2014; 7(2):61-70. Doi: https://doi.org/10.15448/1983-652X.2014.2.16464

Souza SC, Pires PA. Comportamento materno em situação de risco: mães de crianças com paralisia cerebral. Psicol Saúde Doenças. 2003;4(1):111-30.

Cerqueira MM, Alves RO, Aguiar MG. Experiências vividas por mães de crianças com deficiência intelectual nos itinerários terapêuticos. Ciênc Saude Coletiva. 2016;21(10):3223-32. Doi: https://doi.org/10.1590/1413-812320152110.17242016

Baltor MR, Dupas G. Experiências de famílias de crianças com paralisia cerebral em contexto de vulnerabilidade social Método. Rev Latinoam Enferm. 2013; 21(4):956-63. Doi: https://doi.org/10.1590/S0104-11692013000400018

Araújo YB, Collet N, Moura FM, da Nóbrega RD. Conhecimento da família acerca da condição crônica na infância. Texto Context Enferm. 2009;18(3):498-505. Doi: https://doi.org/10.1590/S0104-07072009000300013

Gração DC, Santos MG. A percepção materna sobre a paralisia cerebral no cenário da orientação familiar. Fisioter Mov. 2008;21(2):107-13.

Publicado
2019-12-31
Seção
Artigo de Revisão