Adaptação transcultural do Stroke Upper Limb Capacity Scale (SULCS): um instrumento de avaliação da capacidade manual em indivíduos com hemiparesia

  • Iza Faria-Fortini Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG http://orcid.org/0000-0002-0104-1547
  • Ciomara Maria Pérez Nunes Departamento de Terapia Ocupacional, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG http://orcid.org/0000-0003-4786-6840
  • Gabriela dos Santos Bretas Departamento de Terapia Ocupacional, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG https://orcid.org/0000-0001-5208-0645
  • Christina Danielli Coelho de Morais Faria Departamento de Fisioterapia, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG https://orcid.org/0000-0001-9784-9729
  • Aline Alvim Scianni Departamento de Fisioterapia, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG https://orcid.org/0000-0002-5968-2195
  • Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela Departamento de Fisioterapia, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG https://orcid.org/0000-0001-8358-8636
Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Atividades Cotidianas, Extremidade Superior, Tradução

Resumo

Após a ocorrência do Acidente Vascular Encefálico (AVE), é comum a presença de deficiências residuais, com potencial impacto na utilização dos membros superiores (MMSS) na realização de atividades cotidianas, consideradas essenciais para uma vida independente. O Stroke Upper Limb Capacity Scale (SULCS) avalia a função proximal e distal dos membros superiores de indivíduos pós-AVE por meio de 10 itens, hierarquicamente ordenados, que representam tarefas significativas relacionadas às atividades diárias realizadas em ambiente domiciliar. Objetivo: Adaptar transculturalmente o SULCS para uso no Brasil. Método: O processo de adaptação transcultural foi realizado em cinco estágios, seguindo procedimentos padronizados:  tradução inicial, síntese das traduções, retrotradução, comitê de especialistas e aplicação da versão pré-final em 15 indivíduos pós-AVE. Resultados: As versões original e retrotraduzida apresentaram adequada equivalência semântica. O comitê de especialistas adequou a descrição dos itens às regras gramaticais da língua portuguesa. Em um item da escala, foi acrescentada observação sobre a forma de realização da tarefa, para equivalência experimental, e realizada adaptação do material de teste em três itens, para equivalência cultural. Não foram observadas dificuldades de compreensão dos itens no teste da versão pré-final. Conclusão: O SULCS-Brasil apresentou adequadas equivalências semântica, idiomática, cultural e experimental. Os resultados desse estudo viabilizam o uso do SULCS-Brasil como uma ferramenta para avaliação da capacidade dos membros superiores de indivíduos pós-AVE. Estudos futuros são necessários para continuidade do processo de validação da escala, a partir da investigação de outras propriedades de medida, tais como validade de construto e confiabilidade.

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Publicado
2019-12-31
Seção
Artigo Original