O efeito da intervenção não farmacológica na densidade mineral óssea de pacientes com lesão medular: uma revisão sistemática

Autores

  • Rickella Aparecida Alves Moreira Instituto de Medicina Física e Reabilitação, Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo https://orcid.org/0000-0002-9959-4384
  • Natália Silveira de Paiva Instituto de Medicina Física e Reabilitação, Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
  • Flavio Rodrigo Cichon Instituto de Medicina Física e Reabilitação, Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo https://orcid.org/0000-0002-0757-6200
  • Marta Imamura Instituto de Medicina Física e Reabilitação, Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo https://orcid.org/0000-0003-0355-9697
  • Daniel Rubio de Souza Instituto de Medicina Física e Reabilitação, Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2317-0190.v28i1a173528

Palavras-chave:

Osteoporose, Densidade Óssea, Estimulação Elétrica, Traumatismos da Medula Espinal/reabilitação, Exercício Físico

Resumo

Objetivo: Avaliar os efeitos das medidas não farmacológicas na prevenção de perda ou no aumento da densidade mineral óssea de pacientes com lesão medular. Método: Revisão sistemática usando as bases de dados Medline, Embase, Cochrane Library e Lilacs com pesquisa entre 2009 e junho de 2019. Resultados: Foram encontrados 801 artigos dos quais foram selecionados, de acordo com os critérios de inclusão e exclusão, 15 artigos: 8 Estudos Clínicos Randomizados (ECR), 5 Estudos de Intervenção e 2 Revisões Sistemáticas. Conclusão: As evidências do uso de terapias não farmacológicas para prevenção e tratamento da osteoporose em LM são fracas e seus estudos contêm inúmeros vieses impossibilitando conclusões definitivas. O FES é a modalidade mais estudada e seu uso pode ser benéfico tanto para prevenção como para o tratamento da perda de massa óssea. Os resultados são observados com um uso frequente (5 sessões semanais) e associado a atividades físicas em especial as que promovam maior resistência muscular. Destacamos também que o retardo na perda de massa óssea está circunscrito ao período de aplicação, cessando após o término do mesmo. A associação de eletroestimulação e exercícios parece potencializar a ação medicamentosa, mas mais estudos são necessários para ratificar esta impressão. Intervenções não farmacológicas como o ortostatismo, atividades físicas, treino de marcha e a eletroestimulação são estratégias de baixo custo, baixo risco, poucos efeitos colaterais e com inúmeros outros benefícios na reabilitação de lesados medulares. Por isso, ainda que não tenhamos evidências consistentes de ação na massa óssea, estão fortemente recomendados.

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Publicado

2021-03-31

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Seção

Artigo de Revisão
MÉTRICAS | METRICS