Os sentidos do mal-estar estudantil em O Bonde (1945-1951) e as transformações históricas nos modos de narrar o sofrimento

Autores

  • Henrique Mazetti UFV
  • Ana Kei Osera
  • Julia Lourenço

Resumo

Discussões sobre saúde mental na universidade ganharam visibilidade nos últimos anos. Neste artigo, abordamos o tema a partir de uma perspectiva histórica, baseada na análise dos textos publicados no jornal estudantil O Bonde, produzidos por alunos da Escola Superior de Agronomia e Veterinária (ESAV) - Viçosa, MG. Textos retirados de 106 edições do jornal, veiculadas entre 1945 e 1951, foram selecionados e analisados, a partir de uma grade de análise que visava identificar quais mal-estares eram relatados pelos estudantes, como eles eram narrados e a quem se atribuía a causa do mal-estar. A interpretação dos textos se apoiou em trabalhos que abordam o sofrimento e as emoções por um viés cultural e histórico. Foi possível observar que as insatisfações dos estudantes da época não eram marcadas pela medicalização.

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Biografia do Autor

Henrique Mazetti, UFV

Doutor pela ECO/UFRJ. Professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Ana Kei Osera

Graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e bolsista PIBIC/CNPq.

Julia Lourenço

Graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).

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Publicado

2021-06-28

Como Citar

Mazetti, H., Kei Osera, A. ., & Lourenço, J. . (2021). Os sentidos do mal-estar estudantil em O Bonde (1945-1951) e as transformações históricas nos modos de narrar o sofrimento . Anagrama, 15(1). Recuperado de https://www.revistas.usp.br/anagrama/article/view/186133

Dados de financiamento