"Um gosto bem pronunciado pela história natural”: as ventarolas de beija-flor de M.&E. Natté entre ciência e arte

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-02672021v29e4

Palavras-chave:

História Natural, M.&E. Natté, Arte plumária, Ilustração científica

Resumo

Este artigo visa discutir a relação de artefatos zoológicos com a popularização do discurso científico a partir das ventarolas decoradas com beija-flores taxidermizados produzidas pela empresa M.&E. Natté, no Rio de Janeiro da segunda metade de século XIX. Seus leques frequentemente apresentam o beija-flor em cena narrativa, interagindo com um fragmento de natureza. Argumento que esses artefatos, mais do que outros produtos zoológicos, transmitem concepções científicas em voga à época, bem como a preocupação da M.&E. Natté em projetar uma imagem vinculada à história natural.

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Biografia do Autor

Patrícia Dalcanale Meneses, Universidade Estadual de Campinas. Departamento de História

Graduada em História e mestra em História da Arte pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Doutora em História das Artes Visuais pela Università degli Studi di Pisa. Tem pós-doutoramento pelo Departamento de História da Unicamp, onde é professora. E-mail: <meneses@unicamp.br>

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Publicado

2021-01-29

Como Citar

Meneses, P. D. (2021). "Um gosto bem pronunciado pela história natural”: as ventarolas de beija-flor de M.&E. Natté entre ciência e arte. Anais Do Museu Paulista: História E Cultura Material, 29, 1-31. https://doi.org/10.1590/1982-02672021v29e4

Edição

Seção

Estudos de Cultura Material