Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material https://www.revistas.usp.br:443/anaismp <p>Nossa missão é publicar artigos teóricos e monográficos que tenham como eixo as práticas sociais intermediadas pela materialidade e tratadas como questões históricas, museológicas e de conservação.</p> Universidade de São Paulo. Museu Paulista pt-BR Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material 0101-4714 <p><br>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:<br><br></p> <ol type="a"> <ol type="a"> <li class="show">Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/" target="_new">Licença Creative Commons Attribution</a>&nbsp;que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.</li> <li class="show">Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</li> <li class="show">Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja&nbsp;<a href="http://opcit.eprints.org/oacitation-biblio.html" target="_new">O Efeito do Acesso Livre</a>).</li> </ol> </ol> Descolonizar o pensamento museológico https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/155323 <p>O artigo apresenta uma reflexão com bases teóricas sobre as estruturas coloniais dos museus, considerando historicamente o desenvolvimento dessas instituições no Brasil desde a criação do Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 1818. Propõe a descolonização do pensamento museológico por meio do reconhecimento crítico de suas bases no Iluminismo e na reiteração material do sujeito racional como sujeito ontológico herdado desde o cogito cartesiano. Abordando a crítica decolonial, identifica na separação entre sujeito e objeto e entre pensamento e matéria – estruturantes do pensamento filosófico ocidental – o principal traço do colonialismo nos regimes museais e patrimoniais. Entendendo os museus como dispositivos de “materialização”, segundo o conceito de Judith Butler, o artigo propõe a reintegração da matéria ao pensamento na teoria museológica como caminho para re-pensar as práticas museais em regimes pós-coloniais.</p> Bruno Brulon ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-01-27 2020-01-27 28 1 30 10.1590/1982-02672020v28e1 Museu integral, Museu integrado https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/155981 <p><span style="background-color: #ffffff;">Muito se menciona sobre a Mesa de Santiago do Chile como um dos eventos internacionais marcantes para os museus e para a Museologia, seja pelo protagonismo latinoamericano, seja pela tônica dos debates ali traçados e seus claros desdobramentos naquilo que se convencionou chamar de “Nova Museologia”. Pouco sabemos ou temos acesso à documentação produzida na ocasião, mas as fontes disponibilizadas nos indicam a preocupação sobre temas relacionados ao desenvolvimento econômico e social da região: urbanização, industrialização e migração, entre outros. É nessa seara que se procurou pensar o papel dos museus, considerando questões específicas das realidades de um território (con)formado historicamente numa clivagem moderno-colonial. Nesse sentido, revela-se primordial contextualizar a Mesa de Santiago do Chile numa miríade de acontecimentos e de ideias que nos oferecem uma perspectiva sobre a expressiva dimensão do evento e a potência do “Museu Integral” em contraposição ao termo “Museu Integrado” quando pensados sobre e a partir da América Latina.</span>&nbsp;&nbsp;</p> Luciana Christina Cruz e Souza ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-10 2020-02-10 28 1 21 10.1590/1982-02672020v28e4 Gestão de museus a partir da aplicação da Avaliação Pós-Ocupação https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/159856 <p>No Brasil há poucas pesquisas sobre espaços museológicos que contribuem efetivamente para a gestão destes espaços e muito menos pesquisas com base em levantamentos in situ que priorizam o ponto de vista dos usuários dos museus, sejam estes visitantes, sejam funcionários, como importante estratégia para a conservação, a manutenção e a operação do edifício, do acervo e dos ambientes externos, mitigando, dessa forma, os riscos envolvidos. O artigo parte desse pressuposto e descreve como a Avaliação Pós-Ocupação (APO), um conjunto de métodos e técnicas que abrange a aferição da satisfação dos usuários e a verificação do desempenho físico dos ambientes, pode contribuir na formulação de diagnósticos e de recomendações com vistas à manutenção e à conservação consistentes para o caso de ambientes internos e externos antigos e que abrigam acervos. Para tanto, adotou-se como objeto de estudo exploratório o Museu Histórico e Cultural de Jundiaí – o Solar do Barão – para demonstrar a aplicabilidade da APO no caso de edifícios e espaços exteriores patrimoniados e colocar em discussão seus procedimentos metodológicos como alternativa de planejamento estratégico para museus, relacionando a conservação do edifício, do acervo e dos ambientes externos, com o acolhimento e a sensação de pertencimento dos usuários. Ao final e como resultados da APO aplicada em 2018 nesse caso em particular, apresenta-se um conjunto de recomendações técnico-espaciais e construtivas, para o conjunto edificado e ajardinado em questão e faz-se uma reflexão crítica sobre a necessidade de incorporar procedimentos de manutenção e de uso de espaços museológicos em suas rotinas operacionais e também utilizar esses resultados, sistematicamente organizados, para realimentar futuras readequações do próprio estudo de caso e, de forma ampliada, diretrizes para projetos arquitetônicos. Nessa perspectiva, o artigo destaca a importância do arquiteto especialista nas equipes que desenvolvem os projetos destinados ao restauro e à modernização desses espaços, bem como naquelas equipes que realizam a sua gestão, no decorrer do uso.</p> Raissa Melo de Souza Sheila Walbe Ornstein ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-04-06 2020-04-06 28 1 41 10.1590/1982-02672020v28e05 Quiénes son los visitantes de los museos de arte. Particularidades de los públicos del fin de semana en el Museo de Arte de Tigre (Argentina) https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/152903 <p>Saber quiénes son sus visitantes es una de las principales tareas de los museos en la actualidad, en la medida en que fluctúan entre ajustarse a las imposiciones del sistema capitalista y convertirse en instituciones democráticas y participativas. No obstante, este aspecto resulta aun más dificultoso en los museos de arte, en virtud de los atributos particulares de su estructura y actores. El presente trabajo tiene como objetivo aproximar algunos criterios que permitan conocer quiénes son los visitantes de los museos de arte creados en Argentina desde el inicio del nuevo<br>milenio. Dada la magnitud del desafío, se procura, con el foco puesto en un caso particular, trazar algunos lineamientos sostenidos en los enfoques teórico-críticos aplicados a la museología y en los estudios de públicos. En cuanto a lo metodológico, se recurrió a un estudio de visitantes que apeló a orientaciones cuantitativas y cualitativas, realizado en el Museo de Arte de Tigre durante 2017, centrado en los públicos del fin de semana. Se considera que, al indagar los rasgos singulares de esta entidad patrimonial, pueden identificarse algunos indicios que permitan comenzar a trazar un perfil, tanto general como específico, de los visitantes de los museos de arte.</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> Alejandra Gabriela Panozzo Zenere ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-06-10 2020-06-10 28 1 24 10.1590/1982-02672020v28e11 Entre a arte de comunicar e ofício de ser acessível https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/155229 <p>Esta investigação tem como propósito analisar como se configura a acessibilidade nos sites dos museus. Para a realização do estudo, oito participantes com deficiência visual foram convidados a visitar o site do Museu de Artes e Ofícios (MAO) e, de acordo com suas experiências, a responder um questionário sobre as condições e os recursos oferecidos pela página. O questionário foi disponibilizado em uma plataforma on-line e teve o link enviado por e-mail. A investigação contou também com a utilização de uma ferramenta automática que avalia a acessibilidade de sites. Todos os instrumentos empregados na pesquisa foram inspirados nas Diretrizes de Acessibilidade da Web, orientações elaboradas por pesquisadores do Consórcio W3C que visam a tornar os conteúdos das páginas da internet mais acessíveis. Os sites podem contribuir para a projeção da instituição e de seu acervo e ser um elemento que estimule, oriente ou complemente uma visita, desde que viabilize o processo de comunicação através do oferecimento de recursos adequados às habilidades e capacidades dos indivíduos.&nbsp;No que tange à análise da acessibilidade do site do MAO, a investigação demonstrou que, apesar de alguns elementos estarem de acordo com as recomendações de acessibilidade, a página ainda não supre as expectativas com relação a outros aspectos. Por fim, não foram encontrados textos na página que remetam à acessibilidade ou descrevam os recursos para ampliar o acesso, o que pode indicar que o tema não é uma pauta do site do museu.</p> Míriam Célia Rodrigues Silva José de Sousa Miguel Lopes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-08-31 2020-08-31 28 1 46 10.1590/1982-02672020v28e12 Introdução https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/156134 Ana Claudia Castilho Barone ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-06-10 2020-06-10 28 1 10 10.1590/1982-02672020v28e6intro1 A ética do silêncio racial no contexto urbano https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/156261 <p>Mais de meio século após o preconceito racial ter se tornado o principal alvo dos movimentos urbanos pelos direitos civis nos Estados Unidos e na África do Sul, e décadas depois do surgimento dos movimentos negros contemporâneos no Brasil, o conjunto de ferramentas legislativas criado no Brasil para promover o direito à cidade ainda adere à longa tradição brasileira de silêncio acerca da questão racial. Este artigo propõe iniciar uma exploração das raízes históricas desse fenômeno, remontando ao surgimento do silêncio sobre a questão racial na política urbana do Recife, Brasil, durante a primeira metade do século XX. O Recife foi e<br>é um exemplo paradigmático do processo pelo qual uma cidade amplamente marcada por traços negros e africanos chegou a ser definida política e legalmente como um espaço pobre, subdesenvolvido e racialmente neutro, onde as desigualdades sociais originaram na exclusão capitalista, e não na escravidão e nas ideologias do racismo científico. Neste sentido, Recife lança luzes sobre a política urbana que se gerou sob a sombra do silêncio racial.</p> Brodwyn Michelle Fischer ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-07-15 2020-07-15 28 1 45 10.1590/1982-02672020v28d1e15 Estratégias de aquisição da casa própria https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/156005 <p>No Brasil, há uma crença cultural de que a atitude mais sábia para garantir uma economia doméstica segura e estável é a aquisição da casa própria. Por gerações, o “sonho da casa própria” tem sido cultivado como um horizonte a se atingir. Confirmando essa tendência, desde a década de 1920, a “casa própria” torna-se uma noção mobilizada nos periódicos da imprensa negra, circulando em diversos artigos como uma aspiração desejável e uma orientação ao público dos jornais. Entre 1924 e 1937, dois dos principais jornais da imprensa negra paulista, <em>O Clarim da Alvorada</em> e <em>A Voz da Raça</em>, realizaram uma campanha em favor da casa própria, difundindo entre as famílias negras paulistanas a ideia da importância da aquisição imobiliária. Essas campanhas constituem um indício importante da relevância da aquisição residencial para as famílias negras do período. Neste trabalho, procuramos analisar essa importância como estratégia de seguridade social intergeracional, por meio da apresentação de três casos de famílias negras que realizaram esse objetivo entre as décadas de 1920 e 1940. Os depoimentos das famílias negras aqui reportados indicam<br>precocidade, especificidades e estratégias que representam novos desafios para a reflexão sobre a formulação do problema da casa própria, a partir do ponto de vista racial.</p> Ana Claudia Castilho Barone ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-07-15 2020-07-15 28 1 40 10.1590/1982-02672020v28d1e8 O Largo da Banana e a presença negra em São Paulo https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/156053 <p>O Largo da Banana está associado à história da população negra em São Paulo. Reconhecido como um dos “berços” do samba paulista, é sobretudo através dos próprios sambistas que essa história pode hoje ser conhecida. Localizado junto à antiga estação da Barra Funda, desde as primeiras décadas até meados do século passado, aquele espaço concentrou trabalhadores informais vinculados às atividades da ferrovia. Em meio a um cotidiano precário e instável, essa população realizava rodas de samba e de tiririca. Nos anos 1950, foi construído naquele local o Viaduto Pacaembu, que prolongava a avenida homônima para além da<br>via férrea. A partir da década de 1960, o sambista negro Geraldo Filme compôs duas canções em que homenageava o Largo da Banana e lamentava seu desaparecimento após a inauguração do viaduto. Nessas e em outras composições, o artista registrou suas percepções sobre as condições de vida da população negra e sambista na cidade, suas sociabilidades, bem como sobre as transformações urbanas que testemunhou. Considerando que sua obra artística contribui para iluminar aspectos da realidade social, ela é adotada como fonte para analisar as formas de sociabilidade no Largo da Banana e a intervenção urbanística naquele local.</p> Renata Monteiro Siqueira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-07-15 2020-07-15 28 1 33 10.1590/1982-02672020v28d1e9 A cor do Homem Nu https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/156106 <p>Em meados dos anos 1950, a construção de um monumento em Curitiba colocou a elite local diante de um impasse: como ser moderno, no Brasil do pós-guerra, sem deixar de ser branco? Concebido como parte das comemorações de cem anos de criação do Paraná, o monumento do centenário deveria dominar a praça do Centro Cívico – um conjunto administrativo moderno projetado para simbolizar a súbita transformação do Paraná em um dos estados mais ricos da federação. Os 21 gigantes de pedra que formariam o monumento, entretanto, acabaram sendo reduzidos a apenas um, o <em>Homem Nu</em>, obra dos escultores Erbo Stenzel e Humberto Cozzo. Neste artigo, analiso os sentidos relacionados à adaptação, construção e repercussão do monumento do <em>Homem Nu</em>, incluindo os atritos entre agentes locais e profissionais de vanguarda (e outros nem tanto) que trabalhavam no Rio de Janeiro. Procuro mostrar os esforços de uma fração da elite empenhada em atualizar sua região periférica seguindo os ditames de um movimento moderno desenvolvido no centro da vida cultural nacional. Contra a resistência de uma fração reacionária da elite, os modernos do Paraná conseguiram assegurar projetos arquitetônicos significativos, para em seguida recuar quando descobriram que ser moderno e brasileiro, nos anos 50, significava tornar-se menos branco.</p> Benno Warken Alves ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-07-15 2020-07-15 28 1 44 10.1590/1982-02672020v28d1e7 Arte contemporânea em diálogo com a tradição visual https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/156138 <p>Estruturado em três segmentos, o artigo comenta em um primeiro momento ensaios visuais dos artistas contemporâneos Patrícia Cardoso, Marcelo Zocchio e Thiago Navas que tomam a cidade de São Paulo e suas representações como questão, em ações que tensionam aspectos como memória, autoria, autoridade e tradição visual.<br>Em seguida, é apresentado um percurso historiográfico sobre a obra de Militão Augusto de Azevedo (Rio de Janeiro, 1837-São Paulo, 1905), produtor visual em destaque na reflexão operada naqueles ensaios. Surge ali como referência em diferentes graus e modos o <em>Álbum comparativo da cidade de S. Paulo (1862-1887)</em>, o mais extenso conjunto imagético sobre a cidade ao final da década de 1880. Busca-se destacar como as imagens de Militão foram percebidas e mobilizadas no processo de construção de uma memória urbana local ao longo do século XX e, por fim, na própria constituição do campo da história da fotografia brasileira. O artigo retorna ao final à análise dos ensaios de Cardoso, Zocchio e Navas, comentando como operam sobre princípios estruturais como o recurso comparativo entre fotografias, as funções documentais, representacionais, etc. O artigo enfoca especialmente as temporalidades articuladas pela narrativas imagéticas no álbum de Militão e nas apropriações posteriores, e como uma potente reflexão sobre esses aspectos se realiza no segmento da arte contemporânea, permitindo expor as dinâmicas que submeteram a iconografia histórica local a agendas diversas.</p> Ricardo Mendes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-03-02 2020-03-02 28 1 38 10.1590/1982-02672019v28e03 Paradoxos da “identidade nacional” nos discursos arquitetônicos de Lucio Costa e Sylvio de Vasconcellos https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/162221 <p>No debate em torno do período e do estilo arquitetônico que representassem a identidade nacional na historiografia da arquitetura brasileira, nas primeiras décadas do século XX, diferentes agentes tomaram lugar na consolidação do ideário patrimonial arquitetônico. Figuras marcantes às políticas de preservação cultural, tais como Rodrigo Melo Franco de Andrade e Mário de Andrade, integraram o espaço público ressaltando suas posições de intelectuais inerentes às políticas culturais. Tendo em vista tal fato, este artigo se debruça sobre a consolidação no imaginário social da arquitetura setecentista enquanto efetiva representação da arquitetura nacional, concretizando-se enquanto estilo/período com o maior número de edificações tombadas até 1970. Compreendendo os diferentes sujeitos envolvidos nesse processo, centra-se, assim, na efetiva ação política de Lucio Costa e Sylvio Vasconcellos na defesa em torno do patrimônio colonial, a partir de textos e intervenções nas cidades tombadas Brasil afora, conformando<br>e consolidando suas estratégias em torno de um ideário de patrimônio e nação. Além disso, busca-se compreender a relação direta estabelecida por ambos os agentes entre a arquitetura “eleita” patrimônio nacional e os preceitos do novo fazer arquitetônico vinculado ao Movimento Moderno, ao qual eram adeptos. Justificando o novo a partir do primitivo, numa relação perfeita em que tudo se explica e se encaixa, a arquitetura eclética foi tratada como cópia de estilos, exacerbação de ornamentos e vinculação ao estrangeirismo, se opondo assim ao projeto de nação pleiteado. Devemos sempre rever conceitos e diretrizes, tratando de forma mais verdadeira e justa o nosso patrimônio eclético, e em consequência, nossa historiografia arquitetônica.</p> Diego Nogueira Dias ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-06-11 2020-06-11 28 1 26 10.1590/1982-02672020v28e14 Gilberto Freyre e Amaury de Medeiros https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/162624 <p>O artigo aborda afinidades e antagonismos entre o jornalista e sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) e o médico e sanitarista Amaury de Medeiros (1893-1928). Trata do protagonismo de ambos na criação do Centro Regionalista do Nordeste (abril de 1924), na Semana das Árvores (novembro de 1924) e no Primeiro Congresso Regionalista do Nordeste (fevereiro de 1926). O artigo aborda as convergências entre estes dois homens na defesa da identidade regional e do estilo neocolonial de arquitetura e suas divergências de avaliação dos mocambos e dos valores da cidade e da arquitetura residencial herdadas do passado. Discute o embate travado entre Freyre e Amaury, este no comando de uma ampla intervenção sanitária em Pernambuco e aquele empenhado em combater a ênfase conferida à higiene naquele momento.</p> Telma de Barros Correia ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-08-31 2020-08-31 28 1 60 10.1590/1982-02672020v28e13 Da eloquência dos frontispícios https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/161478 <p>O presente artigo tem por objetivo principal discutir as relações estabelecidas entre os frontispícios e as intencionalidades dos livros nos quais foram impressos, nas obras Nova Lusitânia (1675), de Francisco de Brito Freyre, e Rerum per Octennium in Brasilia (1647), de Gaspar van Baerle. Abordamos estes frontispícios contando com a identificação dos atributos, dos personagens e dos espaços representados pelos gravadores de tais imagens, assim como seus conteúdos textuais. Tomando como ponto de partida os aspectos imagéticos presentes nas folhas de rosto dos livros mencionados, buscamos traçar os padrões de intencionalidade presentes nos livros enquanto discursos políticos. Discute-se como Van Baerle acessa os<br>símbolos a sua disposição para enaltecer os feitos do Conde de Nassau em Pernambuco, da mesma forma que Brito Freyre opera com referências clássicas e constrói uma narrativa heroica de sua própria experiência contra o domínio holandês na América portuguesa.</p> Jorge Victor de Araújo Souza Luis Henrique Souza dos Santos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-08-31 2020-08-31 28 1 23 10.1590/1982-02672020v28e16 Censos e favelas cariocas https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/165062 <p>O presente artigo procura levantar a evolução do conceito censitário de favelas desde o censo do Distrito Federal de 1948 até o último censo nacional de 2010. Não se pretende discutir especificamente os dados quantitativos obtidos pelos recenseamentos, mas, de um lado, retraçar a evolução das definições censitárias dos espaços favelados no decorrer dos séculos XX e XXI e, por outro lado, compreender como os serviços nacionais de recenseamento adaptaram suas formas de atuar para levar em consideração as especificidades desses espaços. Em ambos os casos, questionamos como o caso das favelas cariocas se tornou um modelo para pensar os bairros informais no país.</p> Rafael Soares Gonçalves ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-08-31 2020-08-31 28 1 30 10.1590/1982-02672020v28e23 Restauro e integridade https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/153307 <p>Um dos caminhos para o entendimento da noção de integridade é a teoria do restauro por visar à unidade potencial de um bem. A integridade é uma condição para a conservação do patrimônio e vem sendo alvo de debates nas últimas décadas, mas, quando o objeto de análise são os jardins históricos, somos remetidos a outra realidade – a ausência de um aprofundamento teórico e, consequentemente, de uma metodologia para sua verificação. Tal problemática impulsionou a escrita desde artigo que traz um panorama de como a integridade está sendo pensada e discutida e como os jardins históricos estão sendo considerados ante sua efemeridade, já que o elemento principal é o vegetal.</p> Joelmir Marques da Silva ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-02-10 2020-02-10 28 1 35 10.1590/1982-02672020v28e2 Lina Bo Bardi e a experiência da restauração no Brasil https://www.revistas.usp.br:443/anaismp/article/view/156248 <p>O presente artigo tem como objetivo apresentar e aprofundar uma avaliação histórica e crítica da contribuição de Lina Bo Bardi à cultura arquitetônica brasileira e internacional, em particular para os fundamentos e a prática da restauração. A delimitação temporal se estende da década de 1960, quando a arquiteta projeta e executa a restauração do Solar do Unhão, em Salvador, adaptando-o para abrigar o Museu de Arte Moderna da Bahia, até a década de 1990, quando realiza suas últimas obras, antes de sua morte em 1992. A análise de algumas obras selecionadas, dentre as duas dezenas de projetos de restauração realizados, pretende contribuir, primeiramente, para identificar a coerência interna de sua produção, bem como para ponderar as transformações ocorridas ao longo do tempo. Pretende-se também explorar o diálogo que Lina Bo Bardi estabelece entre o ambiente italiano, as teorias da restauração e a prática brasileira. Por fim, objetiva-se que a análise proposta contribua para uma oportuna revisão da historiografia da arquitetura moderna paulista e brasileira, bem como colabore na construção da história da preservação do patrimônio cultural no país.</p> Ana Lúcia Cerávolo ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-08-31 2020-08-31 28 1 37 10.1590/1982-02672020v28e10