Parasitismo por Nematopsis sp. (Apicomplexa: Eugregarinida) em Mytella guyanensis na Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape, Bahia, Brasil

  • Valéria Macedo Almeida Camilo Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências da Saúde; Universidade Estadual de Santa Cruz, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente
  • Jamille da Conceição Souza Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências da Saúde
  • Fernanda de Freitas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências da Saúd,
  • Felipe Silva de Miranda Universidade Estadual de Santa Cruz, Departamento de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Biologia e Biotecnologia de Microrganismos
  • Sofia Campiolo Universidade Estadual de Santa Cruz, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente
  • Guisla Boehs Universidade Estadual de Santa Cruz, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente
Palavras-chave: Bivalves, Parasitismo, Área de proteção ambiental, Protozoário, Sustentabilidade ambiental

Resumo

Diversos estudos evidenciam a presença de protozoários do gênero Nematopsis Schneider, 1892 em várias espécies de bivalves. A patogenicidade desse apicomplexo ainda é bastante debatida, a qual possivelmente relaciona-se ao grau de parasitismo e habitat do hospedeiro. Nesse contexto, este estudo investigou o parasitismo por Nematopsis sp. em Mytella guyanensis (Bivalvia: Mytilidae) em um manguezal da Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape, Bahia, Brasil. As coletas foram efetuadas mensalmente, de março de 2014 a março de 2015, constando 30 adultos com altura da concha acima de 40 mm, totalizando 360 espécimens. Os espécimens foram medidos, pesados, abertos e examinados macroscopicamente para a identificação de parasitos e/ou sinais de alterações morfológicas, em seguida fixados em solução de Davidson e processados segundo técnica histológica clássica, com inclusão em parafina, obtenção de cortes de 5 μm de espessura por microtomia e coloração por hematoxilina de Harris e Eosina (HE). A temperatura da água variou de 25,5 a 33,6 ºC e a salinidade de 21,1 a 34,3 Unidades Práticas de Salinidade (UPS). Os espécimens mediram entre 41,1 e 68,6 mm e tiveram um peso médio de 7,24 g. Macroscopicamente, não se observou presença do parasito ou qualquer alteração morfológica relacionada à presença do mesmo. A frequência percentual de Nematopsis sp. foi de 99,45%. O manto foi o órgão de maior frequência de infecção
(46,26%), seguido das gônadas (18,36%). Entre os órgãos analisados, todos apresentaram o parasito, sendo que, para poucos casos severamente infectados, observaram-se microscopicamente modificações na conformação do manto. A intensidade de infecção para a maioria das sessões analisadas foi de 1 a 3 oocistos/fagócitos, contudo em uma das sessões foram registrados 9 oocistos/fagócitos. O parasito apresentou correlação negativa com a salinidade. A elevada frequência do Nematopsis sp. deve ser levada em consideração para a sustentabilidade dos estoques naturais, principalmente se tal parasitismo ocorrer simultaneamente a outros patógenos e condições ambientais estressantes.

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Biografia do Autor

Jamille da Conceição Souza, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências da Saúde

Discente do Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – Avenida Carlos Amaral, nº 1015, CEP: 44574-520, Santo Antônio de Jesus, Bahia, Brasil.

Publicado
2019-03-12
Como Citar
Camilo, V., Souza, J., Freitas, F., Miranda, F., Campiolo, S., & Boehs, G. (2019). Parasitismo por Nematopsis sp. (Apicomplexa: Eugregarinida) em Mytella guyanensis na Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape, Bahia, Brasil. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, 55(4), e145204. https://doi.org/10.11606/issn.1678-4456.bjvras.2018.145204
Seção
ARTIGO COMPLETO