Da ilusão transcendental à ilusão antropológica: Foucault em defesa de Kant

Autores

  • Carolina de Souza Noto

Palavras-chave:

homem – empírico – transcendental – ilusão.

Resumo

O presente artigo procura lançar luz sobre a figura do homem moderno enquanto um duplo empírico transcendental, tal como a caracteriza Michel Foucault, principalmente em As palavras e as coisas e na introdução à Antropologia de um ponto de vista pragmáticode Kant. Segundo Foucault, nossa modernidade é marcada pela descoberta kantiana do transcendental. Desde então, o homem pode ser pensado tanto empiricamente quanto transcendentalmente; tanto em suas determinações empíricas quanto em suas condições de possibilidade. A diferença entre empírico e transcendental que, em Kant, designa duas maneiras possíveis de pensar o homem sofrerá, contudo, uma inflexão, e passará a designar uma diferença ontológica no interior do próprio homem. A nova figura do homem como duplo empírico transcendental será fruto, portanto, de uma confusão entre aquilo que é da ordem do empírico e aquilo que é da ordem do transcendental. Tal confusão será denominada por Foucault de ilusão antropológica e deverá ser compreendida como uma nova interpretação e uma repetição da ilusão transcendental apontada por Kant na Crítica da razão pura. Assim, se a ilusão transcendental consistia numa transgressão natural da razão para além dos limites da experiência, a ilusão antropológica consistirá numa transgressão do alerta kantiano acerca da distinção entre empírico e transcendental, uma vez que pretenderá conhecer positivamente a finitude que está na origem da ilusão transcendental.

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Como Citar

Noto, C. de S. (2011). Da ilusão transcendental à ilusão antropológica: Foucault em defesa de Kant. Cadernos De Ética E Filosofia Política, 1(18), 73-88. Recuperado de https://www.revistas.usp.br/cefp/article/view/55723

Edição

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Artigos