Fábrica de Cimento Portland Perus: articulação pedagógica entre movimentos populares e escolas no bairro de Perus

  • Regina Célia Soares Bortoto Secretaria Municipal de Educação, São Paulo, São Paulo, Brasil
  • Maria Helena Bertolini Bezerra Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil
Palavras-chave: Movimento operário, Patrimônio industrial, Memória social, Educação

Resumo

Atuando sob os princípios da “não violência ativa”, a luta dos Queixadas, operários da Fábrica de Cimento Portland Perus, localizada no bairro de Perus, instalada em 1924, configurou um novo panorama de atuação sindical que permitiu mudanças em vários aspectos, entre elas a participação das mulheres ao lado de seus maridos, conquistas trabalhistas, lutas ambientais etc. Comissões de greve visitaram fábricas, escolas, universidades e demais espaços e tais visitas repercutiram, segundo o dr. Mário Carvalho de Jesus,
advogado do Sindicato dos Trabalhadores “da Cimento Perus”, em toda a cidade de São Paulo, numa demonstração de que a união e a firmeza permanente, lema do movimento, seria a forma mais eficaz e eficiente de lutar contra as forças opressoras da sociedade e a exploração do capital. O legado dessa luta resiste ao longo de décadas, por meio de um diálogo entre gerações. As histórias e memórias dos operários, ou seja, suas lutas por justiça e dignidade, além do valor arquitetônico e industrial da Fábrica, motivou o
desejo pelo seu tombamento, sua preservação e por sua transformação em Centro de Cultura e Memória do Trabalhador. Além disso, essa luta que transpôs os muros da Fábrica, envolvendo a comunidade local, alcançou os muros de muitas escolas no bairro, as quais passaram a ter em sua prática educativa, dentro e fora de suas dependências, uma real articulação com temas significativos para os estudantes oriundos dessa herança Queixada, defendendo a ideia de que a educação pode ser efetivamente vista como instrumento libertador e transformador.

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Biografia do Autor

Regina Célia Soares Bortoto, Secretaria Municipal de Educação, São Paulo, São Paulo, Brasil

Formada em Letras, com complementação em Pedagogia, pós-graduação lato-sensu na área de Sociologia. Aposentada como diretora de escola pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Atualmente participa do Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento Portland Perus, do Território de Interesse da Cultura e da Paisagem Jaraguá-Perus, da Associação dos Aposentados de Perus e da Rede Paulista de Educação Patrimonial.

Maria Helena Bertolini Bezerra, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

Graduação e especialização em Sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Mestrado e doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade de São Paulo, com concentração na área de Sociologia da Educação, subárea Escola e Cultura. Foi professora da escola básica na rede estadual e municipal e docente do Instituto Mairiporã de Ensino Superior. Atualmente é professora da Universidade do Brasil (Uniesp). Possui pós-doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo, com pesquisa no campo do currículo escolar. Atua como formadora no programa Parceria Votorantin Pela Educação e como professora bolsista na Universidade Federal de São Paulo e Universidade Aberta do Brasil.

Publicado
2019-08-30
Como Citar
Bortoto, R., & Bezerra, M. (2019). Fábrica de Cimento Portland Perus: articulação pedagógica entre movimentos populares e escolas no bairro de Perus. Revista CPC, 14(27esp), 185-210. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4466.v14i27espp185-210