https://www.revistas.usp.br/cpst/issue/feed Cadernos de Psicologia Social do Trabalho 2021-12-30T00:00:00-03:00 Editoria dos CPST cpst@usp.br Open Journal Systems <p>Os Cadernos de Psicologia Social do Trabalho (CPST) são um periódico semestral, on-line, com acesso aberto e de caráter interdisciplinar. A revista tem por objetivo difundir a produção científica no campo do trabalho e dos processos organizativos, a partir das leituras da psicologia social e de outras disciplinas das ciências humanas e sociais, que se situam no âmbito das perspectivas críticas. Nessa direção, destacam-se a centralidade da categoria trabalho e a importância de favorecer o ponto de vista dos trabalhadores, diferentemente de enfoques gerencialistas, que os consideram apenas como recursos. A revista prioriza a publicação de artigos que apresentem reflexões sobre situações concretas e que contribuam para processos de transformação na direção da promoção da saúde e da garantia de direitos. São bem-vindas contribuições apoiadas em diferentes leituras teóricas. Os CPST publicam artigos originais como relatos de pesquisas, intervenções e experiências e ensaios teóricos (não são aceitas revisões de literatura). Resenhas de livros, entrevistas e traduções também podem ser aceitas mediante consulta aos editores.</p> <p>ISSN 1981-0490</p> https://www.revistas.usp.br/cpst/article/view/171757 Trabalhador 100%: a função do imaginário em processos de sofrimento psíquico em uma unidade frigorífica 2021-08-13T21:53:44-03:00 Andrea Luiza da Silveira deasilveira@gmail.com Álvaro Roberto Crespo Merlo merlo@ufrgs.br <p>Visamos compreender a condição de possibilidade da constituição de uma totalidade imaginária, que denominamos trabalhador 100%, identificada por meio da metodologia Entrevista Narrativa, cuja análise compõe aspectos histórico- sociais, mapeamento da cronologia e das significações. As entrevistas foram realizadas com trabalhadores adoecidos pelo trabalho em uma unidade frigorífica, sindicalistas representantes da categoria profissional de abate e beneficiamento de carnes e profissionais especialistas que atuam nesse meio. Os conceitos de campo de possíveis, campo de significações e imaginário historicamente estruturado foram mobilizados com o propósito de ligar as biografias ao contexto social do trabalho em que os trabalhadores adoeceram ou se acidentaram. Esclarecemos, então, a relação do imaginário historicamente estruturado com a corporeidade modificada pelo adoecimento, as emoções medo e tristeza e o futuro. Encontramos, por fim, uma contradição entre o projeto de ser trabalhador 100%, ideal apregoado pela organização do trabalho, e a sua consequência, o adoecimento.</p> 2021-12-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Álvaro Roberto Crespo Merlo, Andrea Luiza da Silveira https://www.revistas.usp.br/cpst/article/view/172627 A “terra prometida”: práticas de gestão, trabalho na mineração e seus impactos nas relações familiares 2021-06-04T18:00:41-03:00 Bruna Coutinho da Silva bcoutinho.psi@gmail.com João César de Freitas Fonseca joaocesar.fonseca@yahoo.com.br Roberta Carvalho Romagnoli robertaroma1@gmail.com José Newton Garcia Araújo jinga@uol.com.br Thiago Casemiro Mendes adm.thiagons@gmail.com <p>Este artigo visa a apresentar uma pesquisa-intervenção voltada para a compreensão da relação entre família e trabalho, em uma unidade mineradora situada no Norte do Brasil. Adotam-se aqui olhares críticos da psicologia sobre o trabalho. Embora não estivessem previstos originalmente, os dados aqui relatados emergiram do campo, derivados do projeto de pesquisa-intervenção contratado pela empresa, que buscava investigar as variáveis psicossociais que diretamente afetam o trabalho de Operadores de retroescavadeira. A necessidade de buscar maior aproximação dos sujeitos de pesquisa motivou a realização de uma intervenção junto às suas famílias. Essa intervenção foi feita a partir de técnicas grupais, como rodas de conversa e visitas domiciliares, seguida pela análise das percepções dos familiares sobre o trabalho dos Operadores e sobre a relação desses com a empresa. Os resultados destacam a importância do conceito de território para compreender os processos de subjetivação das famílias; os vínculos sociais como fator psicossocial protetivo; a imbricada articulação entre o processo de gestão do trabalho e a política de benefícios sociais. Concluímos destacando a importância dos vínculos familiares para a compreensão real da atividade dos Operadores, e reafirmando a noção de centralidade do trabalho, na conformação do território.</p> 2021-12-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Bruna Coutinho da Silva, Joao César de Freitas Fonseca, Roberta Carvalho Romagnoli, José Newton Garcia Araújo, Thiago Casemiro Mendes https://www.revistas.usp.br/cpst/article/view/173387 O rompimento com o trabalho por doença e o enfrentamento da nova realidade 2021-06-01T17:49:26-03:00 Amanda Dias Dourado amandadouradorh@gmail.com Paulo César Zambroni-de-Souza paulozamsouza@yahoo.com.br Anísio José da Silva Araújo anisiojsa@uol.com.br Ivan Bolis bolis.ivan@yahoo.it <p>O objetivo geral desse artigo é analisar como os trabalhadores afastados do ambiente laboral por motivo de doença vivenciaram o rompimento com o trabalho e quais perspectivas de futuro elaboraram a partir dessa vivência. Participaram do estudo nove trabalhadores afastados do ambiente laboral por motivo de doença, usuários de um Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de uma capital do nordeste brasileiro. Os instrumentos utilizados foram: um questionário sociodemográfico e uma entrevista semiestruturada, submetida à análise de conteúdo temática, com o auxílio teórico da Psicodinâmica do Trabalho. Evidenciou-se que os trabalhadores chegam a preferir os sofrimentos vivenciados no trabalho àqueles oriundos do seu afastamento, assim como possuem expectativas frustradas de reconhecimento, somadas às limitações para o alcance de melhores perspectivas profissionais.</p> 2021-12-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Amanda Dias Dourado, Paulo César Zambroni-de-Souza, Anísio José da Silva Araújo, Ivan Bolis https://www.revistas.usp.br/cpst/article/view/174709 Ritornelos de chefs imigrantes: ritmos e marcas da e na cozinha 2021-08-13T21:49:22-03:00 Vanessa Amaral Prestes vanessa.amaral.prestes@gmail.com Carmem Ligia Iochins Grisci carmem.grisci@ufrgs.br <p>Objetiva-se apresentar como se dá a produção de territórios no trabalho de chefs de cozinha imigrantes a partir dos ritornelos identificados. Toma-se o território como um modo de ser ou de agir, de se expressar e de se relacionar com o mundo, sendo que processos de apropriação, associação e desejo vêm a conferir o caráter existencial ao território. E ritornelo como os padrões rítmicos que permitem visibilizar os territórios por meio da repetição e de tudo aquilo que se faz expressivo. O ritornelo oferece subsídios para pensar a repetição como produtora de territórios no trabalho. O estudo é qualitativo, e adotou a narrativa como método, contemplando a produção e a análise das informações narradas pelos participantes. A narrativa produzida reflete como chefs imigrantes arranjam e fazem a gestão de equipes com códigos culturais distintos dos seus de origem; como estabelecem uma cadência para suas equipes de trabalho; como são marcados por acidentes na cozinha e como investem as pausas na rentabilização de si e do trabalho. Esses ritornelos ganham função afetiva, social e profissional e, ao se tornarem expressivos, dão visibilidade aos territórios na imigração.</p> 2021-12-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Vanessa Amaral Prestes, Carmem Ligia Iochins Grisci https://www.revistas.usp.br/cpst/article/view/175867 Um resgate de si: itinerário terapêutico de um caso de adoecimento mental relacionado ao trabalho 2021-06-22T07:48:23-03:00 Joyce Cristina Rodrigues joycerodrigues@usp.br Carla Salles Chamouton carla.chamouton@gmail.com Helenice Yemi Nakamura nakamura@g.unicamp.br Heloisa Aparecida de Souza heloisa_apsouza@yahoo.com.br <p>Este artigo reflete sobre o processo de reabilitação de adoecimento mental relacionado ao trabalho por meio da reconstituição do Itinerário Terapêutico de uma trabalhadora, evidenciando a importância dos serviços públicos de saúde. Mesmo diante do expressivo aumento dos casos de adoecimento mental e das evidências de relação com as condições e formas de organização do trabalho, raramente as situações laborais são consideradas nas avaliações dos serviços de saúde. Mesmo com o atual contexto de desmonte da saúde pública, existem exemplos de atuações exitosas, como a que discutimos aqui. Por meio de entrevista semidirigida com uma trabalhadora e construção do Itinerário Terapêutico, buscou-se compreender seu processo de adoecimento mental, a relação com o trabalho e o percurso de reabilitação. Os resultados demonstram a importância do entendimento do trabalho como determinante de saúde, da elaboração de projetos terapêuticos singulares e da atenção integral, revelando que a articulação em rede, o estabelecimento de vínculo e a busca pelo protagonismo do usuário são essenciais na atenção à saúde mental relacionada ao trabalho.</p> 2021-12-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Joyce Cristina Rodrigues, Carla Salles Chamouton, Helenice Yemi Nakamura, Heloisa Aparecida de Souza https://www.revistas.usp.br/cpst/article/view/175950 Uma análise da psicodinâmica do trabalho de operadora de caixa de supermercado 2021-08-05T09:22:04-03:00 Ana Carolina Secco de Andrade Mélou carolsecco82@gmail.com Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira pttarso@gmail.com Eric Campos Alvarenga ericsemk@gmail.com Maria Lúcia Chaves Lima marialuciacl@gmail.com <p>Trata-se de um estudo qualitativo com base na Psicodinâmica do Trabalho e que analisa o trabalho das operadoras de caixa de supermercado, investigando sua organização e a dinâmica prazer-sofrimento psíquico envolvida. Foram entrevistadas individualmente quinze mulheres, de quatro diferentes supermercados da cidade de Belém-PA, usando roteiro semiestruturado. O material foi examinado conforme a técnica de Análise de Núcleos de Sentido (ANS). Verificou-se uma rígida organização do trabalho das operadoras de caixa de supermercado, contendo poucas possibilidades de transformação do sofrimento em vivências de prazer. Há pouco espaço para as operadoras expressarem as dificuldades do trabalho, tais como: insatisfação com as chefias, falta de reconhecimento no trabalho, assédio sexual, constrangimentos praticados pela clientela e precariedade nas condições de trabalho. A submissão, a crença religiosa e o riso aparecem como estratégias coletivas de defesa para suportar as adversidades do cotidiano laboral.</p> 2021-12-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Ana Carolina Secco de Andrade Mélou, Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, Eric Campos Alvarenga, Maria Lúcia Chaves Lima https://www.revistas.usp.br/cpst/article/view/178510 Coaching interno: do discurso gerencialista ao sequestro da subjetividade 2021-08-18T17:43:35-03:00 Gustavo Henrique Carvalho de Castro gustavo.hc.castro@gmail.com Bárbara Novaes Medeiros barbaranovaesmedeiros@hotmail.com Cledinaldo Aparecido Dias cledinaldodias@yahoo.com.br Marcus Vinicius Soares Siqueira marcusvs@unb.br <p>Este artigo analisa como a instrumentalização do coaching pelas organizações, enquanto prática gerencial, propicia a reprodução de preceitos gerencialistas que se alinham ao sequestro da subjetividade do trabalhador. Para tal, efetuaram-se entrevistas semiestruturadas com 11 gestores que conduziam tal intervenção no ambiente de trabalho. A interpretação dos dados fundamenta-se na Análise Crítica do Discurso, textualmente orientada (Fairclough, 2003). Embora o coaching no trabalho suscite reflexividade, tal postura encontra-se a serviço do ideal gerencialista, reafirmando o ideário social de culto ao desempenho, que propaga auto (e alta) responsabilização individual. O paradoxo é que a subjetividade – hiper solicitada para dar lugar a uma “subjetividade realizadora” –, foi representada discursivamente como entrave ao desenvolvimento pessoal, o qual é indissociado de anseios organizacionais. Por fim, discute-se o papel da resistência no bojo do referido processo de intervenção.</p> 2021-12-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Gustavo Henrique Carvalho de Castro, Bárbara Novaes Medeiros, Cledinaldo Aparecido Dias, Marcus Vinicius Soares Siqueira https://www.revistas.usp.br/cpst/article/view/178811 Nós da linha de frente: diálogos sobre o ser da saúde no contexto da pandemia 2021-08-24T17:10:52-03:00 Munique Therense mtherense@gmail.com Selma Barboza Perdomo sperdomo@uea.edu.br Ariane Cristiny da Silva Fernandes arianepsi@gmail.com <p>O objetivo deste estudo é compartilhar os fazeres e os saberes de profissionais da área da saúde que atuam na linha de frente no enfrentamento da pandemia por Covid-19 em diferentes regiões do Brasil, com base na discussão sobre suas concepções em relação à finitude, sobre os caminhos e as estratégias adotados e/ou necessários para a promoção de sua saúde mental no período da pandemia e sobre a construção de memórias afetivas e/ou traumáticas de suas ações, condutas e desafios enfrentados na linha de frente. O método utilizado foi a criação de um espaço virtual para discussões teóricas, troca de vivências e promoção da saúde mental, que aconteceram em quatro momentos, uma vez por semana, no mês de julho de 2020. As narrativas dos profissionais sinalizaram as dificuldades e os aprendizados relativos ao confronto exaustivo com a morte, bem como as estratégias funcionais e disfuncionais adotadas para fazer frente aos problemas e para a manutenção da saúde mental. Concluiu-se que experimentar o protagonismo de construir coletiva e eticamente uma narrativa sobre as experiências da pandemia mostrou-se dispositivo de cuidado e refazimento importantes para os participantes da ação.</p> 2021-12-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Munique Therense, Selma Barboza Perdomo, Ariane Cristiny da Silva Fernandes