Um manjar de poesia: comidas e etiologias míticas nos Fastos, de Ovídio

  • Júlia Batista Castilho de Avellar Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: Ovídio, Fastos, Comida e memória, Metapoesia

Resumo

Com um enfoque nas relações entre comida e literatura na Antiguidade Clássica, este trabalho aborda alguns alimentos – como o libum (bolo sacrificial de farinha, queijo e mel), carnes de animais e favas – oferecidos aos deuses em festividades descritas nos Fasti (Fastos), de Ovídio, seu estatuto nesses ritos e seu estatuto literário no texto ovidiano. Nesse poema em forma de calendário, as datas de importância na cultura romana são reconstruídas e recriadas sob uma perspectiva que insere o mito na história, mediante a narração de relatos etiológicos, que expõem as causas das celebrações romanas e dos alimentos nelas utilizados. Diante disso, evidenciaremos, primeiramente, que o poema, ao apresentar explicações sobre alimentos empregados em ritos, contribui para a construção de uma memória da tradição cultural romana. Em segundo lugar, investigaremos como essas etiologias alimentares introduzem no texto reflexões sobre o próprio fazer poético, de modo a transformar os alimentos em ingredientes para comentários autorreflexivos e metapoéticos.

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Biografia do Autor

Júlia Batista Castilho de Avellar, Universidade Federal de Minas Gerais
Doutoranda em Literaturas Clássicas e Medievais no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Faculdade de Letras da UFMG.

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Publicado
2017-06-30
Como Citar
Avellar, J. (2017). Um manjar de poesia: comidas e etiologias míticas nos Fastos, de Ovídio. Revista Criação & Crítica, (18), 5-19. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v0i18p5-19