A autobiografia e o diário como feridas na lógica da representação literária

Palavras-chave: Marguerite Duras, Nuno Ramos, Vera Lins, Jacques Derrida, escrita autobiográfica

Resumo

Este artigo propõe pensar três momentos do trabalho de construção da escrita em Marguerite Duras, em Nuno Ramos e em Vera Lins, como inseparável de um trabalho simultâneo de destruição, reencenando a relação tensa entre obra e não-obra, em que a escrita estaria justamente no intervalo entre o já escrito e o por escrever. Os textos aqui analisados não estão integralmente ao lado da literatura, pelo contrário, eles mostram como são afetados por aquilo que, a princípio, deveria ser seu fora: a autobiografia e o diário. Tensão que não deixa de ser, para dizer com Jacques Derrida, uma paixão da literatura

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Biografia do Autor

Flavia Trocoli Xavier Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Professora de Teoria Literária do Departamento de Ciência da Literatura da UFRJ

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Publicado
2017-12-02
Como Citar
Silva, F. (2017). A autobiografia e o diário como feridas na lógica da representação literária. Revista Criação & Crítica, (19), 72-83. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v0i19p72-83
Seção
Artigos