O Atlântico Sul no espelho da tradução

Roblès e Monénembo no Brasil

  • Raquel Peixoto do Amaral Camargo USP
  • Mirella Botaro Sorbonne - Paris IV
Palavras-chave: Tradução, Clichê, Estereótipo, Brasil, África, Estrangeiro

Resumo

Este artigo pretende articular o eixo “sul-sul” (Brasil-África) ao eixo “norte-sul” (Brasil-França) lançando uma reflexão sobre a tradução de dois romances francófonos no Brasil:   Pelourinho (1995, Seuil), do Guineano Tierno Monénembo, e Là où les tigres sont chez eux (2008, Zulma), do Francês Jean-Marie Blas de Roblès. Considerado como simplista, quando não redutor ou preconceituoso, o uso do cliché não costuma ser bem visto nos textos literários. Nestes dois romances, no entanto, o papel que ele desempenha parece ir além daquele previsto pelo seu “lugar comum”, que é o da imagem desgastada e repetida. O que diz o “Brasil” que se desvela nos romances a respeito de sua relação com o Outro, seja ele africano, europeu ou, particularmente, francês? Que inflexões os clichés sobre o Brasil podem adquirir uma vez transplantados no próprio Brasil? Que transformações o trabalho de tradução implica quanto ao seu tratamento literário? A tradução pode/deve agir sobre as imagens e/ou leituras “estigmatizantes” ou “culturalistas” produzidas em/por textos francófonos (França, África)? Estas questões serão centrais para a reflexão que desejamos lançar sobre o Atlântico-sul, reflexão esta situada entre o “clichê” e a sua tradução.

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Biografia do Autor

Raquel Peixoto do Amaral Camargo, USP

Doutorando na área de Tradução do Programa de Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês na USP.

Mirella Botaro, Sorbonne - Paris IV
Doutoranda em Estudos Lusófonos na Université Paris - Sorbonne.

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Publicado
2018-12-21
Como Citar
Camargo, R., & Botaro, M. (2018). O Atlântico Sul no espelho da tradução. Revista Criação & Crítica, (22), 35-56. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v0i22p35-56