Literatura: o potencial humanizador da mais solitária das artes

Autores

  • Gabriela Ewald Richinitti Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i28p97-112

Palavras-chave:

Literatura contemporânea, Ética, Intersubjetividade, Leitura, Escrita

Resumo

O ensaio examina os desdobramentos éticos, estéticos e sociais da literatura contemporânea, concebida em um mundo imagético e turbulento, que enfrenta a dissolução das crenças estabelecidas na modernidade e convive com ideias radicalmente polarizadas. Nesse ambiente, a escrita e a leitura se colocam como atos humanizadores, na medida em que promovem movimentos empáticos para a constituição e a compreensão das personagens, possibilitando diferentes formas de conexões intersubjetivas. Tida como a mais solitária das artes, a literatura é capaz de aproximar pessoas, ampliando suas relações interpessoais e rompendo o individualismo que caracteriza a pós-modernidade. Nos livros, o leitor se depara com modelos éticos do mundo, que permitem a criação sentidos e o enfrentamento das questões que atravessam a vida e as relações humanas. Do escritor, por sua vez, exige-se sensibilidade altruística para captar as narrativas do mundo real e das pessoas que o habitam.

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Publicado

2020-12-22

Como Citar

Richinitti, G. E. (2020). Literatura: o potencial humanizador da mais solitária das artes. Revista Criação & Crítica, (28), 97-112. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i28p97-112