Mainstream em Desencanto: Tensões entre a Fase Racional de Tim Maia e a Indústria Cultural

Autores

  • Mariana Sbaraini Kapp Universidade Federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i31p154-173

Palavras-chave:

Tim Maia, Fase Racional, Indústria Cultural, Canção Popular

Resumo

A imagem e a obra de Tim Maia são marcadas por contradições. A partir disso, esta pesquisa tem como objetivo analisar a relação do cantor com as dinâmicas da indústria cultural brasileira, que estava se consolidando nos anos 1970. Quando Tim estava no auge de sua carreira, conheceu a Cultura Racional e lançou dois discos com essa temática pelo seu selo SEROMA, o que fez com que ele se tornasse um dos primeiros artistas independentes do Brasil. Na época, os discos não chegaram ao grande público, mas, anos mais tarde, essa fase foi redescoberta e ressignificada pela indústria, sendo considerada como um dos melhores momentos da carreira do cantor. Para a realização desse estudo, cotejou-se diferentes narrativas sobre tal fase, relacionando-as a conceitos sobre indústria cultural e música como mercadoria. Como conclusão, foi possível compreender que a imagem de “cult” atribuída atualmente ao artista e à sua obra torna coesas suas contradições. Nesse sentido, a recusa à indústria cultural acaba sendo um valor dentro dessa própria indústria.

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Publicado

2021-12-30

Como Citar

Kapp, M. S. (2021). Mainstream em Desencanto: Tensões entre a Fase Racional de Tim Maia e a Indústria Cultural. Revista Criação & Crítica, 31(31), 154-173. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i31p154-173

Edição

Seção

Artigos