A genealogia negro-brasileira contemporânea de autoria feminina na literatura de Conceição Evaristo: Tempo, Temporalidade e Ancestralidade em Olhos d'água (2018)

Autores

  • Rayron Lennon Costa Sousa Universidade Federal do Piauí
  • Risoleta Viana de Freitas Universidade Estadual do Maranhão

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i29p198-217

Palavras-chave:

Literatura negro-brasileira, Autoria feminina, Olhos d’água, Conceição Evaristo, Escrevivência

Resumo

A literatura negro-brasileira contemporânea pode ser vista como umas das áreas mais profícuas para materializar a decolonialidade, pois, de maneira crescente, negras e negros passam a se autorrepresentar, autoficcionalizar e ficcionar suas realidades e as dos outros que, ao mesmo tempo em que são individuais, servem para o coletivo. A partir desse contexto, o texto literário de autoria feminina serve de mecanismo político e ideológico, alinhado à proposta decolonial, para a discussão de diversas epistemologias “Outras”. Tais questões justificam a tessitura deste texto, no qual objetivamos discutir o lugar do Tempo, da Temporalidade e da Ancestralidade como características dialógicas que se fundem nas representações literárias de Conceição Evaristo. Assim, temos como corpus, o conto Olhos d’água (2018), para pensar a genealogia feminina e materna negra. A metodologia é básica, precedida de revisão bibliográfica, caracterizada como análise-crítica, de natureza explicativa. No tocante ao aporte teórico, recorremos às discussões de Moraes (2018), Rivera (2011), Proença Filho (2004), Ferreira (2014), etc. Intentamos relacionar o texto literário com a história, no tocante ao lugar do tempo, da temporalidade e da presença das ancestralidades para perceber a construção de uma narrativa que liga as mulheres pela sororidade e pela dororidade, partindo do que Evaristo, enquanto teórica, conceitua como Escrevivência.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Rayron Lennon Costa Sousa, Universidade Federal do Piauí

    Doutorando em Letras, área de concentração em Literatura pela Universidade Federal do Piauí – UFPI. Docente do Curso de Linguagens e Códigos – UFMA; Membro do Grupo de Pesquisa em Literatura, Alteridade e Decolonialidade – GPLADE – UFMA/CNPq e do Grupo de Pesquisa em Literatura, Leitura e Ensino – UESPI.

  • Risoleta Viana de Freitas, Universidade Estadual do Maranhão

    Doutoranda em Letras, área de concentração em Literatura pela Universidade Federal do Piauí – UFPI.
    Docente do Curso de Letras – UEMA. Membro do Grupo de Pesquisa Americanidades: lugar, diferença e
    violência – UFPI e do Grupo Tese, o labirinto e seu nome -UFPI.

Referências

AGAMBEN, GIORGIO. “O que é o Contemporâneo?” In: O que é o Contemporâneo? e outros ensaios. [tradutor Vinícius Nicastro Honesko]. — Chapecó, SC: Argos, 2009.

BENJAMIN, Walter. O anjo da história. Lisboa: Assírio & Alvim, 2010.

EVARISTO, Conceição. Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: ALEXANDRE, Marcos Antônio (Org.) Representações performáticas brasileiras: teorias, práticas e suas interfaces. Belo Horizonte: Mazza, 2007.

EVARISTO, Conceição. Becos de memória. Florianópolis: Editora Mulheres, 2017.

EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ :Pallas Míni, 2018.

FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro, RJ: Editora Civilização Brasileira, 1968.

FERREIRA, Élio. América negra e outros poemas afro-brasileiros. São Paulo: Quilombhoje, 2014.

GONÇALVES, A. M. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Editora Record, 2006.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. 2. ed. São Paulo: Centauro, 2013.

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de Despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2019.

MORAES, Gerson Leite. SANTOS, Robson da Silva. A religião como memória e transmissão. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 07, p. 05-18, Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959.

MORENO, J. L. Psicoterapia de grupo e psicodrama. Campinas, SP: Editorial Psy, 1993.

MORENO, J. L. Psicodrama. São Paulo, SP: Cultrix. (Trabalho original publicado em 1975), 2016.

NITRINI, Sandra. Teoria Literária e Literatura Comparada. Estudos avançados, 1994.

PROENÇA FILHO, Domício. A trajetória do negro na literatura brasileira. ESTUDOS AVANÇADOS 18 (50), 2004, p. 161-193. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v18n50/a17v1850.pdf. Acesso em 12 de jun. 2019.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Em: Lander, E. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires, CLACSO. 2005.

RIVERA, P. B.Tradição, Transmissão e emoção religiosa – Sociologia do Protestantismo contemporâneo na América Latina. São Paulo: Olho d’água, 2001.

ROSADOS, D. S. EM BUSCA DO MOMENTO: por uma teoria da temporalidade a partir da obra de Moreno. Revista Brasileira de Psicodrama, v. 26, n. 2, 96-107, 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicodrama/v26n2/v26n2a09.pdf. Acesso em: 20 de dez. 2019.

SOUZA, B. Vamos juntas? O guia da sororidade para todas. Rio de Janeiro: Galera Record, 2016.

SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar? Trad. Sandra Regina Goulart Almeida; Marcos Pereira Feitosa; André Pereira. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010.

STRECKER, Heidi. Vocabulário brasileiro: Culturas africanas influenciaram nosso idioma. Uol educação, 2006. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/cultura-brasileira/vocabulario-brasileiro-culturas-africanas-influenciaram-nosso-idioma.htm. Acesso em 05/12/2019.

PIEDADE, Vilma. Dororidade. São Paulo: Editora Nós, 2017.

Downloads

Publicado

2021-05-12

Como Citar

Sousa, R. L. C., & Freitas, R. V. de. (2021). A genealogia negro-brasileira contemporânea de autoria feminina na literatura de Conceição Evaristo: Tempo, Temporalidade e Ancestralidade em Olhos d’água (2018). Revista Criação & Crítica, 29, 198-217. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i29p198-217