Uma confissão em fragmentos: Goethe, Fausto e o peregrino

Palavras-chave: Fausto de Goethe, Peregrino, Filemon e Baucis, Metamorfoses de Ovídio, “Fragmentos de uma grande confissão”

Resumo

Goethe nos conta em Poesia e verdade que tudo o que escreveu seria “fragmentos de uma grande confissão”. Partindo das novas descobertas da filologia da edição, este ensaio busca explicitar que tal autoavaliação de Goethe se aplica antes de tudo ao seu trabalho no drama Fausto, que durou sua vida inteira. Da primeira publicação do texto em 1790 até seu término em 1831, o ensaio evidencia as rupturas na biografia de Goethe e na época goethiana. Diante do pano de fundo da época de crise europeia entre 1789 e 1830, torna-se evidente a constelação inquietante e moderna na obra completa de Goethe: o conflito irreconciliável entre Fausto e o peregrino. Nessa cena carregada de significado, escrita ao final da reformulação e da retomada do trabalho no manuscrito do Fausto, processo que no todo se estendeu ao longo de mais de sessenta anos, Goethe insere na ação dramática o sorvedouro poderoso do movimento histórico moderno que se inicia na revolução industrial. A consequente catástrofe do peregrino será entendida como a imagem trágica com a qual Goethe confere uma expressão simbólica à visão realista sobre o próprio anacronismo.

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Publicado
2019-08-21
Como Citar
Jaeger, M. (2019). Uma confissão em fragmentos: Goethe, Fausto e o peregrino. Estudos Avançados, 33(96), 277-300. https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2019.3396.0015
Seção
Goethe