Max Weber, leitor de Tolstoi

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2020.34100.019

Palavras-chave:

Max Weber, Tolstoi, Conhecimento científico, Dominação técnica, O sentido da vida

Resumo

Este artigo discute a formulação que Max Weber dá ao problema do sentido da ciência e do sentido da vida, com base na conferência Ciência como vocação, que ele proferiu na Universidade de Munique em 1917. Em primeiro lugar, esboço o contexto intelectual em que se dá a “redescoberta” da obra de Weber, na Alemanha, nas décadas de 1970 e 1980; em segundo lugar, comento a recepção da conferência por especialistas; e, em seguida, retomo o sentido que Weber atribui à ciência e ao progresso. Finalmente, exploro uma dimensão literária da reflexão weberiana: tendo em vista que Weber considerou o escritor russo Liev Tolstoi como aquele que melhor havia respondido à pergunta sobre a relação entre e a ciência e o sentido da vida, e relembro o conto “A morte de Ivan Ilitch”, de Tolstoi.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Glaucia Villas Bôas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Glaucia Villas Bôas é professora titular do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). É doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP).

Referências

HANKE, E. A obra completa de Max Weber – MWG. Um retrato. Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, v.24, n.1, p.99-118, jun. 2012.

LEPENIES, W. Geschichte der Soziologie. Frankfurt, a/M: Suhrkamp Verlag, 1981.

MATA, S. da. A fascinação weberiana. As origens da obra de Max Weber. Belo Horizonte: Fino Traço, 2013.

PIERUCCI, A. F. O desencantamento do mundo: todos os passos de um conceito. São Paulo: Editora 34, 2003.

RILKE, R. M. Cartas a um jovem poeta. A Canção de amor e de morte do porta estandarte Cristovão Rilke. São Paulo: Globo, 1999.

ROTH, G. Heidelberg und Montreal. Zur Geschichte des Weberzentenarius 1964. In: AY, K. L.; BORCHARDT, K. (Org.) Das Faszinosum Max Weber. Die Geschichte seiner Geltung. Konstanz: UVK Verlagsgesellschfat mbh, 2006.

SCHLUCHTER, W. Paradoxes of Modernity. Culture and Conduct in the Theory of Max Weber. Stanford: Stanford University Press, 1996.

_______. A atualidade de Max Weber: entrevista com Wolfgang Schluchter. Sociologia & Antropologia, v.1, n.1, p.11-20, 2011.

_______. O desencantamento do mundo. Seis estudos sobre Max Weber. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2014.

SCHWARTZMAN, S. A Atualidade de Raymundo Faoro. DADOS, v.46, n.2, p 207-213, 2003.

SELL, C. E. Max Weber e a racionalização da vida. Petrópolis: Vozes, 2013.

SIMMEL, G. Sobre as exposições de arte. In: VILLAS BÔAS, G.; OELZE, B. Georg Simmel, Arte e Vida Social. Ensaios de Estética Sociológica. São Paulo: Hucitec, 2016.

______. O conceito e a tragédia da cultura. In: SOUZA, J.; OELZE, B. (Org.) Simmel e a modernidade. Brasília: Editora UnB, 2005. p.77-1.

SOUZA, J. A ética protestante e a ideologia do atraso brasileiro. In: ___. (Org.) O malandro e o protestante. A tese weberiana e a singularidade cultural brasileira. Brasília: Editora UnB, 1999.

TENNBRUCK, F. Nachwort. In: WEBER, M. Wissenschaft als Beruf. Stuttgart: Philipp Reclam, 2002. p.44-77.

TOLSTOI, L. A morte de Ivan Ilitch. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. v.III, p.906-49.

VIANNA, L. W. Weber e a interpretação do Brasil. In: SOUZA, J. (Org.) O malandro e o protestante. A tese weberiana e a singularidade cultural brasileira. Brasília: Editora UnB, 1999.

VILLAS BÔAS, G. Mudança provocada. Passado e futuro no pensamento sociológico brasileiro. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006b.

_______. A recepção da sociologia alemã no Brasil. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006a.

_______. A atualidade de Max Weber: entrevista com Wolfgang Schluchter. Sociologia & Antropologia, v.1, n.1, p.11-20, 2011.

_______. A recepção controversa de Max Weber no Brasil. DADOS, Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v.57, n.1, p.5-33, 2014.

WEBER, M. Ciência como vocacão. In: Ciência e política. Duas vocações. São Paulo: Cultrix, 1970. p.17-52.

WEBER, M. Wirtschaft und Gesellschaft: Grundrisse der verstehenden Soziologie. Ed. Johannes Winckelmann. Tübingen: J. C. B. (Paul Siebeck), 1985. p.582-613.

_______. Wissenschaft als Beruf. In: Schriften 1994-1922. Org. Dirk Kaesler. Stuttgart: Alfred Kroener Verlag, 2002. p.474-511.

Downloads

Publicado

2020-12-02

Como Citar

Bôas, G. V. (2020). Max Weber, leitor de Tolstoi. Estudos Avançados, 34(100), 307-320. https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2020.34100.019

Edição

Seção

Cem anos da morte de Max Weber (1864-1920)