Consumo, restrição a liquidez e bem-estar no Brasil

Autores

  • João Victor Issler Escola Brasileira de Economia e Finanças
  • Fernando de Paula Rocha Escola Brasileira de Economia e Finanças

DOI:

https://doi.org/10.11606/1980-5330/ea145205

Palavras-chave:

ganhos de bem-estar, decomposição tendência-ciclo, cointegração, ciclos comuns.

Resumo

Usando-se um modelo padrão da literatura de macroeconomia, este artigo avalia qual é o ganho de bem-estar para o Brasil da suavização do ciclo econômico. Nosso procedimento segue a proposta de Lucas (1987) de decompor o consumo agregado em uma parte que representaria a sua tendência e outra que representaria o seu ciclo. Para estimar estes dois componentes do consumo, usa-se aqui um modelo econométrico baseado numa representação estado-espaço para a renda e o consumo, levando em conta o fato de que renda e consumo têm que obedecer uma relação de longo prazo pela Teoria da Renda Permanente, e uma relação de curto prazo caso haja restrições à liquidez. Ambas as relações são testadas empiricamente. A partir das estimativas para o ciclo e a tendência do consumo, calcula-se quanto o consumidor representativo deve ser compensado para ser indiferente entre a sequência de consumo observada e uma sequência modificada onde o ciclo é suavizado. Os resultados apontam para um ganho de bem-estar pequeno da suavização do ciclo econômico para o Brasil, o que é consistente com os resultados da literatura empirica de macroeconomia para o Brasil. Uma decomposição idêntica é implementada para os EUA de forma a comparar os resultados.

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Publicado

2000-12-01

Como Citar

Issler, J. V., & Rocha, F. de P. (2000). Consumo, restrição a liquidez e bem-estar no Brasil. Economia Aplicada, 4(4), 637-665. https://doi.org/10.11606/1980-5330/ea145205

Edição

Seção

Artigos