Processo de trabalho e eficiência produtiva: Smith, Marx, Taylor e Lênin

Autores

  • Benedito Rodrigues de Moraes Neto Universidade Estadual Paulista. Departamento de Economia

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0101-41612009000300008

Palavras-chave:

processo de trabalho, manufatura, eficiência produtiva, socialismo, taylorismo-fordismo, maquinaria

Resumo

A partir de reflexão sobre uma hipotética transição do capitalismo em sua natureza manufatureira ao socialismo, procura-se deixar marcada a razão pela qual, seguindo a proposta de Marx, essa transição exige que a produção se realize sob a égide da maquinaria. Consegue-se, como parte dessa reflexão, identificar, para o caso da manufatura, um trade-off entre eficiência produtiva e humanização das atividades de trabalho. Procura-se esclarecer que, dada a natureza do taylorismo-fordismo como "reinvenção da manufatura", o exercício de início especulativo passa a ter sentido histórico. Busca-se argumentar que a ampla assimilação do taylorismo-fordismo pela experiência de implantação do socialismo na União Soviética a aprisionou ao mencionado trade-off , fazendo com que a primeira experiência de superação do capitalismo se impregnasse perversamente da mediocridade imanente ao taylorismo-fordismo. Finalmente, são feitos rápidos comentários acerca dos desdobramentos da recente automação de base microeletrônica sobre a natureza de um projeto socialista.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BABBAGE, C. On the economy of machinery and manufactures. New York: Augustus M. Kelley Publishers, 1971.

BAILES, K.E. Alexei Gastev and the Soviet controversy over taylorism, 1918-24, Soviet Studies, v. 29, n. 3, 1977.

BEDEIAN, A .G.; PHILLIPS, C.R. Scientific management and stakhanovism in the Soviet Union: A Historical Perspective. International Journal of Social Economics, v. 17, 1990.

DEVINATZ, V.G. Lenin as scientific manager under monopoly capitalism, state capitalism, and socialism: A Response to Scoville. Industrial Relations, v. 42, n. 3, 2003.

FAUSTO, Ruy. A “pós-grande indústria” nos Grundrisse (e para além deles). Lua Nova, n. 19, 1989.

FINZI, R. Lênin, Taylor, Stakhanov: o debate sobre a eficiência econômica após outubro. In: HOBSBAWN, E. (Org.). História do marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

GRAMSCI, A . Obras escolhidas . São Paulo: Martins Fontes, 1978.

LÊNIN, V.I. Primeira versão do artigo “As tarefas imediatas do poder soviético”. In:

BERTELLI, A .R. (Org.). Lênin: Estado, ditadura do proletariado e poder soviético. Belo Horizonte: Oficina de Livros, 1988a.

BERTELLI, A .R. As tarefas imediatas do poder soviético. In: BERTELLI, A. R. (Org.).

Lênin: Estado, ditadura do proletariado e poder soviético. Belo Horizonte: Oficina de Livros, 1988b.

LINHART, R. Lenine, os camponeses e Taylor. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1977.

MARCUSE, H. Razão e revolução. Rio de Janeiro: Editora Saga, 1969.

MARX, K. El Capital. México: Fondo de Cultura Económica, 1973.

MARX, K. Manuscritos: economía e filosofía. Madrid: Alianza Editorial, 1974.

MARX, K. Miséria da filosofia. Porto: Publicações Escorpião, 1976.

MARX, K. Elementos fundamentales para la crítica de la Economia Política – Grundrisse.

México: Siglo Veintiuno Editores, 1978.

MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Editora Hucitec, 1991.

MORAES NETO, B. R. Marx, Taylor, Ford: as forças produtivas em discussão. São Paulo:

Brasiliense, 1989.

MORAES NETO, B. R. Fordismo e ohnoísmo: trabalho e tecnologia na produção em massa. Estudos Econômicos, v. 28, n. 2, 1998.

MORAES NETO, B. R. Marx e o processo de trabalho no final do século. Pesquisa & Debate , PUCSP, v. 11, n. 2, 2000.

MORAES NETO, B. R. O percurso teórico da «abolição do trabalho» (ou da superação da «angústia smithiana) em Marx: avanços e recuo. Revista da Sociedade Brasileira de Economia

Política, n. 14, 2004.

MORAES NETO, B. R. Observações sobre os Grundrisse e a história dos processos de trabalho.

Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política, n. 16, 2005.

MORAES NETO, B. R. Pós-fordismo e trabalho em Antonio Negri: um comentário. Revista da

Sociedade Brasileira de Economia Política, n. 18, jun. 2006

PALMA, A . Le macchine e l’industria da Smith a Marx. Torino: Einaudi, 1971.

PRADO, Eleutério. Desmedida do valor: crítica da pós-grande indústria. São Paulo, Xamã, 2005.

ROSDOLSKY, R. Genesis y estructura de El Capital de Marx. México: Siglo Veitiuno Editores, 1985.

SCOVILLE, J. G. The Taylorization of Vladimir Ilish Lenin. Industrial Relations, v. 40, n. 4, 2001.

SMITH, A. Riqueza das nações. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

SOCHOR, Z.A. Soviet Taylorism Revisited. Soviet Studies, v. 33, n. 2, 1981.

TRAUB, R. Lenin and Taylor: the fate of “scientific management” in the (early) Soviet Union. Telos, v. 37, 1978.

WEILL, S. A racionalização. In: BOSI, E. (Org.). A condição operária e outros estudos sobre a opressão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

WEISS, D. Marx versus Smith on the division of labor. Monthly Review, v.28, n.3, 1976.

WOOD, Stephen. O modelo japonês em debate: pós-fordismo ou japonização do

fordismo. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 17, n. 6, out. 1991.

WOOD, Stephen. The japanization of fordism. Economic and Industrial Democracy, v. 14, 1993.

WREN, D. A.; BEDEIAN, A .G. The taylorization of Lenin: rethoric or reality? International Journal of Social Economics, v. 31, n. 3, 2004.

Downloads

Publicado

2009-09-30

Edição

Seção

Não definida