Bancos na transição republicana em São Paulo: o financiamento hipotecário (1888-1901)

Autores

  • Renato Leite Marcondes Universidade de São Paulo. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
  • Anne G. Hanley Northern Illinois University

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0101-41612010000100004

Palavras-chave:

bancos, mercado de capitais, hipotecas, São Paulo, encilhamento

Resumo

A transição republicana introduziu grandes transformações na economia brasileira e, principalmente, na paulista, marcadas pela abolição da escravidão, pelo crescimento da imigração estrangeira, pela expansão cafeeira e por reformas monetárias conduzidas pelo governo central. Nesse momento, a cidade de São Paulo tornou-se um grande centro destas mudanças. As instituições bancárias consistiram em agentes importantes no mercado financeiro. Analisamos a atuação dos bancos no fornecimento do crédito hipotecário na cidade de São Paulo de 1888 a 1901. Nossa pesquisa cruza os balanços contábeis dos bancos com o registro hipotecário, a fim de investigar o perfil e o comportamento do crédito institucional de longo prazo durante uma era crítica da história de São Paulo. Argumentamos que o mercado hipotecário nessa época foi significativamente mais amplo e diversificado do que apontaram os estudos anteriores a respeito do desenvolvimento bancário e econômico. Os bancos hipotecários foram a fonte mais importante de financiamento no mercado paulistano, mas se retraíram rapidamente, ao final da década de 1890. Os bancos comerciais emprestaram recursos mediante hipotecas por períodos mais longos do que era típico para esta espécie de instituição. Mesmo os bancos comerciais estrangeiros atuaram neste mercado, apesar das advertências das matrizes para as transações com horizonte longo de tempo. Isto sugere que o mercado hipotecário foi suficientemente lucrativo para induzir estas instituições mais conservadoras a assumirem algum grau de risco.

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Publicado

2010-03-01

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Não definida