Mudanças na estrutura do comércio exterior brasileiro: uma análise sob a ótica da teoria de Heckscher-Ohlin

Autores

  • Paulo Ricardo Feistel Universidade Federal de Santa Maria
  • Álvaro Barrantes Hidalgo Universidade Federal de Pernambuco

Palavras-chave:

Abertura Comercial, Vantagens Comparativas, Brasil

Resumo

O objetivo deste trabalho é analisar as mudanças acontecidas na estrutura do comércio exterior brasileiro após a abertura comercial, em termos de uso dos recursos produtivos disponíveis. A análise é realizada com base na teoria das proporções de fatores, na versão de modelo de três fatores: trabalho, recursos naturais e capital. Utilizando a técnica de insumo- produto é mensurado o conteúdo dos fatores produtivos no comércio e é analisada a tendência de longo prazo de especialização da economia brasileira em termos das vantagens comparativas segundo a teoria de Heckscher-Ohlin. Os resultados obtidos mostram uma tendência de longo prazo de aumento de participação dos produtos intensivos em recursos naturais e queda de participação dos produtos intensivos em capital e trabalho na pauta de exportações brasileiras. Por outro lado no que se referem às importações, estas mostram uma inequívoca tendência de crescente participação de produtos intensivos em capital e uma queda de participação de produtos intensivos em recursos naturais, portanto condizentes com os preceitos das vantagens comparativas de Heckscher-Ohlin.

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Biografia do Autor

Paulo Ricardo Feistel, Universidade Federal de Santa Maria

Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento PPGE&D-  Departamento de Economia da Universidade Federal de Santa Maria- UFSM

Álvaro Barrantes Hidalgo, Universidade Federal de Pernambuco

Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia (PIMES) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Pesquisador do CNPq.

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Publicado

2013-03-30

Edição

Seção

Artigo