Corrupção e ineficiência no Brasil: uma análise de equilíbrio geral

Autores

  • Francisco de Assis Oliveira Campos Universidade Federal do Ceará
  • Ricardo A de Castro Pereira Universidade Federal do Ceará

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-416146244rpf

Palavras-chave:

Corrupção, Ineficiência, Equilíbrio Geral, Bem-Estar, Crescimento

Resumo

O trabalho analisa corrupção e ineficiência no setor público a partir de um modelo de equilíbrio geral calibrado para o Brasil, com foco em agregados macroeconômicos e o bem-estar da economia. Os resultados de exercícios contrafactuais mostram que a eliminação da corrupção e ineficiências nos gastos públicos implicam significativo ganho de bem-estar. Entretanto, eliminando-se somente corrupção o efeito de bem-estar é adverso e expressivo, indicando que a corrupção estaria corrigindo alguma distorção presente na economia. Na hipótese de um possível tradeoff entre políticas de redução de ineficiências e corrupção, reduções nas ineficiências do setor público acompanhadas de aumento de corrupção podem implicar efeitos negativos sobre o produto e o investimento no curto e longo prazos, em que pese o bem-estar aumentar. Ademais, usando como ilustração a flexibilização de normas licitatórias para as obras da copa do mundo e das olimpíadas permitida pela Lei nº 12.462, as simulações sugerem que se a flexibilização vier acompanhada de aumentos na corrupção, poderia haver ganho de bem-estar para o agregado da economia, mas retrairia as trajetórias de crescimento do produto e investimento no curto e longo prazo, mostrando que poderia haver certo dilema na tomada de decisão para fins de implantação de uma política desta natureza.

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Biografia do Autor

Ricardo A de Castro Pereira, Universidade Federal do Ceará

Professor do Curso de Pós-graduação em Economia CAEN com experiência na área de Macroeconomia, com ênfase em Crescimento, Flutuações e Planejamento Econômico.

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Publicado

2016-06-30

Edição

Seção

Artigo