Migração intrametropolitana e mobilidade pendular: evidências para a região metropolitana do Recife

Autores

  • Hilton Martins de Brito Ramalho Universidade Federal da Paraíba
  • Danyella Juliana Martins de Brito Universidade Federal da Paraíba

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-416146483hrdb

Palavras-chave:

Mobilidade pendular, Região Metropolitana do Recife, Seletividade das migrações

Resumo

O artigo investiga se há relação entre mobilidade pendular e migrações na Região Metropolitana do Recife (RMR). Nesse intuito, foram usados dados do Censo Demográfico de 2010 e estimado um modelo de efeito-tratamento baseado em cópulas e que incorpora autosseleção de trabalhadores entre migrantes e não migrantes. Os resultados sugerem uma relação complementar entre as escolhas de cidade de residência e de cidade de trabalho no meio intrametropolitano; fato que reforça a hipótese de influência direta do processo de descentralização urbana sobre os movimentos pendulares. As estimativas mostraram que um trabalhador com histórico recente de migração na RMR têm, em média, 47,6 p.p. a mais de probabilidade de efetuar a mobilidade pendular quando comparado a um não migrante. Esse efeito tende a ser subestimado quando se ignora a autosseleção dos migrantes em habilidades inatas.

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Biografia do Autor

Hilton Martins de Brito Ramalho, Universidade Federal da Paraíba

Professor adjunto do Departamento de Economia - UFPB

Danyella Juliana Martins de Brito, Universidade Federal da Paraíba

Universidade Federal de Minas Gerais
Doutoranda em Economia - CEDEPLAR

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Publicado

2016-12-01

Edição

Seção

Artigo