Aversão à desigualdade e preferências por redistribuição: a percepção de mobilidade econômica as afeta no Brasil?

Autores

  • Yasmín Salazar Méndez Universidade Federal Fluminense
  • Fábio Domingues Waltenberg Universidade Federal Fluminense

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-416146193ymf

Palavras-chave:

Aversão à desigualdade, Preferências por redistribuição, Mobilidade, Expectativas de mobilidade futura.

Resumo

 

A noção de que a redistribuição é dos ricos para os pobres permitiria concluir a priori que os pobres são os principais partidários de medidas redistributivas, ao serem os potenciais beneficiários. Não obstante, estudos realizados principalmente para países desenvolvidos sugerem que a aversão à desigualdade e as preferências por redistribuição são moldadas por fatores que vão além do pecuniário. Neste trabalho, se analisa o efeito da mobilidade econômica subjetiva na aversão à desigualdade e na demanda por redistribuição dos brasileiros usando-se uma base de dados única, representativa do país, que foi coletada em 2012. Os resultados sugerem que, em contradição com previsões teóricas e com evidências de países desenvolvidos, mesmo pessoas que aspiram ascender socialmente no futuro incomodam-se com a desigualdade e são favoráveis a políticas redistributivas. Brasileiros que perceberam uma piora na sua situação econômica também mostram-se favoráveis à redistribuição, resultado mais convencional. Ambos os conjuntos de resultados são confirmados por estimações feitas em subamostras definidas por renda familiar. Levantam-se hipóteses para se tentar explicar os resultados inesperados.

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Biografia do Autor

Fábio Domingues Waltenberg, Universidade Federal Fluminense

Sua pesquisa concentra-se em: análise econômica de políticas sociais, economia da educação, do trabalho e da saúde.

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Publicado

2016-03-30

Edição

Seção

Artigo