Nos interstícios da cidadania: a inevitabilidade e urgência da dimensão da virtude cívica na educação

Autores

  • Eduardo Nuno Fonseca Universidade de Lisboa

DOI:

https://doi.org/10.1590/S1517-97022014000100012

Resumo

Este artigo tem dois objetivos centrais. O primeiro é problematizar a conceptualização da cidadania, de acordo com sua acepção moral e o segundo é equacionar as respectivas implicações para qualquer projeto educativo que reconheça a importância da educação para a cidadania em contexto escolar. Assim, primeiramente serão feitas algumas considerações a respeito da dimensão poliédrica do conceito de cidadania. Especificamente, salientaremos que a cidadania participativa, além de requerer conhecimentos e competências, abrange igualmente o domínio de recursos pessoais e extrapessoais, bem como as disposições conducentes à ação. Ademais, existe um vínculo entre a constituição moral de cada cidadão, a democracia e a vivência democrática. Finalmente, abordaremos a cidadania democrática, a qual envolve a capacidade da pessoa de se mover além dos seus próprios interesses individuais, para que possa comprometer-se com o bem da comunidade onde se encontra inserida. A cidadania, nessa perspectiva, origina uma latente tensão que necessita ser prudentemente dirimida. O processo educativo, portanto, desenvolve-se na fronteira escorregadia entre a doutrinação e o respeito pela livre escolha individual, devendo existir uma fidelidade intransigente à bússola balizadora dos direitos humanos (UNESCO, 2006), os quais privilegiam a defesa da dignidade das pessoas, o direito ao desenvolvimento da personalidade e o combate a todas as formas de discriminação (ROLDÃO, 1992; SANTOS, 2011).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Publicado

2014-03-01

Como Citar

Fonseca, E. N. (2014). Nos interstícios da cidadania: a inevitabilidade e urgência da dimensão da virtude cívica na educação . Educação E Pesquisa, 40(1), 181-196. https://doi.org/10.1590/S1517-97022014000100012

Edição

Seção

Artigos