ESPINOSA E O CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL

Autores

  • Emanuela Scribano Università Ca’Foscari Venezia, Veneza, Itália

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2017.124045

Palavras-chave:

Espinosa, bem, mal, afeto, juízo, útil

Resumo

As definições do bem e do mal que abrem a Parte iv da Ética parecem posicionar decididamente Espinosa entre os filósofos que consideraram poder defini-los por meio de proposições suscetíveis de verdade e falsidade, reconduzindo, portanto, à razão a origem destas noções. Por outro lado, a proposição 8 da mesma parte afirma de modo inequívoco que o conhecimento dos valores morais é inteiramente redutível a um estado emocional. Dado este aparente paradoxo, trata-se, então, de analisar se e como podem ser conciliadas as definições de bem e de mal e a proposição 8 da Parte IV. O artigo mostra que a filosofia de Espinosa busca produzir uma mutação dos conhecimentos e, portanto, dos desejos; em última instância, uma mutação da natureza do agente, da qual irá derivar, necessariamente, uma mutação na especificação dos bens e nas ações, porque, mudando a natureza da mente,  serão diferentes as coisas que provocam alegria e que serão, desse modo, desejadas. Não por acaso, o supremo bem, o conhecimento de Deus, comporta um componente afetivo: a alegria. Trata-se de mostrar que o componente afetivo é intrínseco ao juízo de valor e, ao mesmo tempo, exprime a natureza do sujeito e motiva a sua ação. Por isso, o homem que usa a razão não poderá senão desejar o que lhe é verdadeiramente útil.

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Publicado

2017-12-28

Como Citar

Scribano, E. (2017). ESPINOSA E O CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL. Cadernos Espinosanos, (37), 33-72. https://doi.org/10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2017.124045

Edição

Seção

Artigos