O sujeito disciplinar: uma análise das Regras para a Direção do Espírito

Autores

  • Beatriz Laporta Universidade de São Paulo
  • Érico Andrade Universidade Federal do Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2022.192843

Palavras-chave:

Descartes, Modernidade, Soberania, Disciplinamento, Epistemologia

Resumo

Tomando a obra Regras para a Direção do Espírito de Descartes, buscamos entender no presente artigo como a noção de disciplinaridade, desenvolvida a partir da questão de orientação do espírito na busca de conhecimentos certos, pode ser interpretada como fundante do projeto de modernidade calcado na autonomia do sujeito de disciplinar o próprio corpo. Assim, desenvolvemos a possível interpretação de sujeição política através da reflexão sobre a sujeição de todas as faculdades do espírito ao entendimento a partir do disciplinamento que ele próprio impõe à relação que aquelas faculdades guardam com o corpo. E estabelecemos que as Regras não inauguram apenas uma reforma do entendimento como agenda de pesquisa para a modernidade, mas portam diretrizes para o aprimoramento do uso das faculdades de modo geral, apresentando como ação humana exitosa o comércio entre as faculdades humanas coordenado pelo entendimento.

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Publicado

2022-06-30

Como Citar

Laporta, B., & Andrade, Érico. (2022). O sujeito disciplinar: uma análise das Regras para a Direção do Espírito. Cadernos Espinosanos, (46), 49-81. https://doi.org/10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2022.192843

Edição

Seção

Artigos

Dados de financiamento