PRORROGAÇÃO: Call for papers – vol. 16 n. 1 (2020) – dossiê temático "Semiótica e Psicanálise"

2019-07-01

Vol. 16, n. 1 - julho 2020 - Dossiê temático

Chamada para artigos

 "Semiótica e Psicanálise"

Organização: Bruna Paola Zerbinatti (USP) e Paula Martins de Souza (USP)

Data-limite para submissão de artigos e resenhas ao dossiê: 20 de janeiro de 2020

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Desde sua inauguração, tendo por marco a publicação da obra Semântica Estrutural (GREIMAS, 1966), a semiótica francesa assumiu uma posição ambígua por relação à subjetividade. Por um lado, colocou a subjetividade “entre parênteses”, visando a se aproximar das chamadas ciências experimentais, então consideradas o modelo por excelência do conhecimento humano. A tônica da análise, nesse momento de inauguração da disciplina, recaía sobre o verbo, isto é, a ação que intermedeia as relações entre sujeito e objeto. Por outro lado, o esvaziamento da categoria de sujeito não tardou a demandar seu preenchimento: a suspensão da subjetividade parece tê-la atualizado, colocando-a no centro da cena e a realizando a cada uma das viradas metodológicas, ou mesmo epistemológicas, da disciplina, como é o caso da virada modal (anos 1980), que respondeu pela necessidade de especificar os diferentes motores dos sujeitos actanciais, e da virada fenomenológica (anos 1990), incitada pelos estudos das semióticas das paixões: não podendo mais restringir-se à esfera da ação, isto é, do verbo, ficou difícil sustentar a independência entre a pregnância ou repelência de dado objeto e as características do sujeito, seu par juntivo.

Podemos dizer, portanto, que a história da semiótica francesa está atrelada ao aumento da espessura do sujeito. Em seu desenvolvimento, assim como no desenvolvimento da semiótica peirciana ou da semiótica da cultura, muitos pesquisadores dedicaram-se ao estudo da subjetividade, seja com recursos metodológicos já disponibilizados por suas linhas teóricas, seja buscando novos recursos em outras esferas do conhecimento já consagradas nesse domínio, notadamente na psicanálise e na filosofia.

Embora o debate – e, por vezes, o embate – entre semiótica e psicanálise seja indissociável da história da semiótica francesa, a interface entre semiótica e psicanálise, diferentemente das viradas modal e fenomenológica, nunca ganhou nome de movimento. As contribuições do arcabouço teórico da psicanálise que foram incorporadas à pesquisa semiótica, consequentemente, ainda não foram sistematizadas. O estatuto de “vertente” que esses estudos de interface receberam dentro da grande área dos estudos semióticos coloca as pesquisas deles derivadas em risco de isolamento em relação ao planejamento teórico global, ficando pouco acessíveis aos semioticistas que não se dedicam diretamente a esse assunto, mas que poderiam aproveitar seus resultados. Este dossiê temático da revista Estudos Semióticos, portanto, foi planejado com o intuito de reunir resultados de pesquisas que se encontram nessa interface, independentemente da orientação semiótica ou psicanalítica, na esperança de mapear, em alguma medida, o que tem sido feito nesse campo de investigação e de divulgar esses resultados a um conjunto mais amplo de pesquisadores. A seguir, podem ser conferidas algumas sugestões de eixos temáticos:

1          Objetivos da interface entre semiótica e psicanálise. No estado de arte atual, a interface entre semiótica e psicanálise não parece ser um campo de pesquisa que se define pela homogeneidade dos objetivos. Enquanto alguns pesquisadores têm em vista alimentar a clínica psicanalítica com estudos da semiótica, outros absorvem estudos da psicanálise com vistas a nutrir a metodologia da semiótica. Para esse eixo temático, sugere-se que se apresentem estudos de natureza epistemológica que reflitam sobre os objetivos da interface entre semiótica e psicanálise;

2          Problemas epistemológicos derivados do encontro da semiótica com a psicanálise. Para esse eixo temático, propõe-se que sejam apresentadas dificuldades epistemológicas decorrentes da interface entre semiótica e psicanálise e, eventualmente, sugestões de superação dessas dificuldades. Também serão bem-vindas explanações que discutam o modo como esses problema epistemológicos impactam o desempenho metodológico derivado;

3          Interface: interdisciplinaridade, multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade ou transdisciplinaridade? Partindo das definições de interdisciplinaridade, multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade e transdisciplinaridade, propostas por Fiorin no artigo “Linguagem e interdisciplinaridade” (2018, disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-106X2008000100003>), esse eixo temático contempla propostas interessadas em investigar o modo, ou os modos, de relação entre a semiótica e a psicanálise nas pesquisas de interface que têm sido desenvolvidas;

4          Desenvolvimento metodológico promovido pela interface entre semiótica e psicanálise. Contemplarão esse eixo temático as propostas que apresentarem e, eventualmente, introduzirem desenvolvimentos metodológicos promovidos pela interface entre semiótica e psicanálise. Esses desenvolvimentos podem incidir sobre a metodologia da semiótica ou da psicanálise;

5          Análises de textos desenvolvidas com base na interface entre semiótica e psicanálise. Participam desse eixo temático as propostas de análise de textos de qualquer natureza, estando inclusos, naturalmente, os casos clínicos, desde que empreguem métodos da interface entre semiótica e psicanálise. 



Appel à contributions (articles et comptes rendus)

"Sémiotique et Psychanalyse"

Éditeurs : Bruna Paola Zerbinatti (USP) et Paula Martins de Souza (USP)

Date limite pour l'envoi d'articles et/ou de comptes rendus au dossier : 20 janvier 2020

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Depuis ses débuts, marqués par la publication de Sémantique Structurale (GREIMAS, 1966), la sémiotique française a assumé une position ambiguë dans son rapport à la subjectivité. D’un côté, elle a mis la subjectivité « entre parenthèses », essayant par là de s’approcher des sciences dites expérimentales, alors considérées comme modèle par excellence de la connaissance humaine. À son principe, donc, la discipline faisait retomber la tonique de l’analyse sur les relations entre le sujet et l’objet : le verbe. D’un autre côté, vidée de sa substance, la catégorie du sujet ne tarda pas à appeler à être comblée : la suspension de la subjectivité semble l’avoir placée au centre du débat à chaque tournant méthodologique et même épistémologique de la discipline. Ce fut le cas du tournant modal des années 1980, qui venait répondre au besoin de spécifier les différents moteurs des sujets actantiels ; ce fut également le cas du tournant phénoménologique des années 1990, entamé avec les études autour de la sémiotique des passions. On ne se restreignait alors plus à la sphère du verbe, celle de l’action dans la relation sujet-objet et l’on commençait à s’intéresser aux caractéristiques du sujet.

On peut donc affirmer que l’histoire de la sémiotique française est liée à la construction de l’épaisseur du sujet. Au cours de son développement - on peut en dire autant de la sémiotique peircienne ou encore de la sémiotique de la culture - de nombreux chercheurs se sont penchés sur l’étude de la subjectivité, soit en empruntant aux ressources méthodologiques disponibles, soit en cherchant de nouveaux outils dans d’autres sphères de la connaissance en rapport avec ce domaine, en puisant notamment dans la philosophie et la psychanalyse.

Bien que le débat entre la sémiotique et la psychanalyse soit indissociable de la sémiotique française, l’interface entre l’une et l’autre n’a jamais reçu le nom de mouvement, à la différence des tournants modal et phénoménologique. Par conséquent, les contributions théoriques de la psychanalyse à la sémiotique n’ont pas été systématisées. Le statut de « versant psychanalytique » que ces études d’interface ont reçu dans le domaine des études sémiotiques place les recherches qui en sont dérivées en danger d’isolement par rapport au panorama global. Ces recherches deviendraient peu accessibles aux sémioticiens qui ne s’y dédient pas corps et âme alors que ceux-ci pourraient profiter de leurs résultats. Le présent dossier thématique de la revue Estudos semióticos a été créé dans le but de réunir les résultats des recherches situées à cette interface, indépendamment de leur courant de pensée sémiotique ou psychanalytique, dans l’espoir de cartographier les travaux effectués dans le domaine et de diffuser leurs résultats à un plus grand nombre de chercheurs. Voici quelques suggestions d’axes thématiques qui peuvent être adoptés :

- Objectifs de l’interface entre sémiotique et psychanalyse. Dans l’état actuel des lieux, l’interface entre sémiotique et psychanalyse ne semble pas être un champ de recherche défini par l’homogénéité de ses objectifs. Si certains travaux s'efforcent de nourrir la clinique psychanalytique grâce aux études sémiotiques, d’autres absorbent la psychanalyse dans le but de nourrir la méthodologie sémiotique. Concernant cet axe thématique, il est suggéré de présenter des travaux de nature épistémologique qui réfléchissent aux objectifs de l’interface entre sémiotique et psychanalyse.

- Problèmes épistémologiques résultant du rapprochement de la sémiotique avec la psychanalyse. Sur cet axe thématique, il est suggéré de présenter les difficultés épistémologiques issues de l’interface entre les deux disciplines ainsi que d’éventuelles perspectives de dépassement. Seront également les bienvenues toutes les explications qui étudient l’impact de ces problèmes épistémologiques sur la performance de la méthodologie qui en ressort.

- Interface : interdisciplinarité, multidisciplinarité, pluridisciplinarité ou transdisciplinarité ? En partant des définitions d’interdisciplinarité, de multidisciplinarité, de pluridisciplinarité et de transdisciplinarité proposées par José Luis Fiorin, dans son article « Linguagem e Interdisciplinaridade » (2018, http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-106X2008000100003), cet axe thématique s’attache aux propositions qui étudient le mode ou le(s) mode(s) de relation entre la sémiotique et la psychanalyse dans les recherches d’interface publiées à ce jour.

- Développement méthodologique motivé par l’interface entre sémiotique et psychanalyse. Les travaux qui toucheront à cet axe sont ceux qui présentent ou introduisent des développements méthodologiques promus par l’interface entre la sémiotique et la psychanalyse. Ces développements peuvent avoir un impact sur la méthodologie de la sémiotique ou de la psychanalyse.

- Analyses de textes réalisées sur la base de l’interface entre la sémiotique et la psychanalyse. Participent à cet axe thématique les propositions d’analyse de texte de genres variés, en ce comprises les analyses de cas cliniques, pour autant qu’elles emploient des méthodes provenant de l’interface entre sémiotique et psychanalyse.