O jogo de debreagens na narrativa “O espelho de tinta”

  • Maurício Moreira Cardoso Professor Adjunto da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Palavras-chave: jogo debreativo, efeito de sentido, veridicção

Resumo

O presente artigo contempla o estudo do jogo debreativo no conto “O Espelho de Tinta”, de Jorge Luis Borges. A acenada narrativa insere-se na Escola Literária conhecida como Realismo Fantástico ou Realismo Mágico, que tem o citado autor como um de seus principais expoentes. O jogo debreativo resulta da conjunção dos aspectos componentes da noção debreagem. A debreagem, por seu turno, define-se como a operação através da qual a instância da enunciação disjunge e projeta para além de si certos termos ligados à sua estrutura base, de modo que possa constituir os elementos que servem de fundação ao enunciado-discurso. A debreagem se divide em debreagem actancial (referente à categoria de pessoa), debreagem temporal (referente à categoria de tempo) e debreagem espacial (referente à categoria de espaço). Propusemo-nos fornecer evidências de que o referido jogo contribui para construir certo efeito de sentido de veridicção. Teoricamente (cf. Barros, 2001; Greimas e Courtés ,2008), abraçamos os fundamentos da Semiótica Greimasiana no que diz respeito ao significado de enunciação, enunciador, debreagem. Nossos procedimentos metodológicos consistiram em identificar os elementos debreativos presentes no mencionado conto e analisá-los como geradores de um efeito veridictório. Conclusivamente, pudemos estabelecer uma relação entre os elementos de debreagem presentes na narrativa e o dizer verdadeiro – o efeito veridictório – ali presente, o que nos autoriza a afirmar que o contrato de veridicação se mostrou eficaz em “O Espelho de Tinta”.

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Publicado
2015-12-11
Como Citar
Cardoso, M. M. (2015). O jogo de debreagens na narrativa “O espelho de tinta”. Estudos Semióticos, 11(2), 33-39. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2015.111032
Seção
Artigos