Os percursos de Clarissa Vaughan e Richard Brown no filme As Horas.

  • Taís de Oliveira Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).
Palavras-chave: programa narrativo, fazer missivo, intertextualidade, As horas

Resumo

O filme As horas (The Hours, Stephen Daldry, 2002), baseado no romance de mesmo nome de Michael Cunningham (The Hours, 1998), foi um sucesso de público e crítica. Recebeu nove indicações ao Oscar de 2003, incluindo melhor filme e melhor roteiro adaptado. As duas obras tratam do entrelace das histórias de três mulheres ligadas pelo romance de Virginia Woolf, Mrs. Dalloway (Woolf, 2003 [1925]). Cada uma é retratada em um momento diferente: a primeira, no início do século XX, a segunda, em sua metade, e a terceira, no final do mesmo século, no livro, e no primeiro ano do presente século, no filme. Tendo como teoria norteadora de nosso trabalho a Semiótica Discursiva de linha francesa, analisamos – no filme – o percurso desta última personagem, Clarissa Vaughan, uma editora que vive em Nova Iorque cuidando de seu amigo e ex-amante Richard, aidético terminal. Buscamos desvelar os papéis actanciais manifestados por essas duas personagens. Um dos resultados obtidos pela análise é o papel de Destinador Manipulador desempenhado pelo ator Clarissa, que tenta a todo custo convencer seu Destinatário, Richard, a lutar pela vida. No entanto, Richard é consciente de sua impotência. Tal relação desencadeia interessantes configurações, até desembocar na completa recusa de Richard com relação ao seu papel de Destinatário de Clarissa. Além de rejeitar a manipulação proposta por ela, ele passa a ocupar o papel de Antissujeito, ao cometer suicídio. Utilizamo-nos também de recursos da Semiótica Tensiva que nos possibilitaram chegar a alguns resultados que demonstram os valores ligados à vida e à morte, de acordo com cada uma das personagens citadas. Os resultados apontam que para Clarissa a vida teria caráter emissivo e a morte remissivo. Já Richard enxerga da maneira oposta, para ele a vida teria caráter remissivo e a morte é que teria caráter emissivo.

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Publicado
2015-12-11
Como Citar
Oliveira, T. de. (2015). Os percursos de Clarissa Vaughan e Richard Brown no filme <i> As Horas<i&gt;. Estudos Semióticos, 11(2), 62-71. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2015.111036
Seção
Artigos