Sem palco nem palanque? Apontamentos sobre as figuras do herói e do bufão no imaginário da política brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2021.178031

Palavras-chave:

Brasil, Bolsonarismo, Lulismo, Bufão e herói

Resumo

O artigo trata de procedimentos estéticos relacionados, nos termos da sociossemiótica, às construções figurativas do bufão e do herói (Landowski, 2002), a partir da seleção e da análise de imagens de opositores políticos divulgadas em redes sociais ou veículos jornalísticos. Em 2018, Jair Bolsonaro, então candidato do Partido Social Liberal (PSL), fez uso de uma estética atrelada ao doméstico e ao improviso, ‘dando-se a conhecer’ na expressão do bufonismo, de modo isolado e em oposição ao lulismo, fenômeno político de esquerda representado pela figura de Luiz Inácio Lula da Silva, líder do Partido dos Trabalhadores (PT), que constrói uma estética do ‘ser e estar junto’ em ações coletivistas, associando-se aos preceitos do heroico. O estudo apresenta reflexões concernentes ao imaginário bolsonarista em contraposição ao imaginário lulista.

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Biografia do Autor

Sandra Fischer, Universidade Tuiuti do Paraná

Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná (PPGCom-UTP), PR, Brasil.

Aline Vaz, Universidade Tuiuti do Paraná

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná (PPGCom/UTP), PR, Brasil.

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Publicado

2021-04-15

Como Citar

Fischer, S., & Vaz, A. (2021). Sem palco nem palanque? Apontamentos sobre as figuras do herói e do bufão no imaginário da política brasileira. Estudos Semióticos, 17(1), 82-106. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2021.178031

Edição

Seção

Artigos